Monday, 1 September 2014

Políticas públicas moçambicanas não asseguram justiça social em Moçambique

As políticas públicas em Moçambique não asseguram a justiça social, económica e política em resultado serem traçadas não para responder aos anseios dos cidadãos, mas, sim, aos interesses dos órgãos externos consideradas principais investidores e que asseguram o seu funcionamento e das instituições que as implementam, segundo o pesquisador e docente universitário, Alexandrino Forquilha, em declarações ao @Verdade.
De acordo com ele, Moçambique precisa de criar políticas públicas que estejam em conformidade com as necessidades da população e de todo o sistema estatal, e não para a satisfação dos interesses económicos e políticos dos financiadores.
Na óptica do pesquisador a justiça social só será alcançada quando houver vontade política, redução da dependência externa, realização de acções concretas para o efeito, fortalecimento das instituições públicas cujo funcionamento é ainda deficientes, bem como discursos orientados para os resultados.
Alexandrino Forquilha explica ainda que, por exemplo, não basta expandir o sistema de ensino superior, as unidades sanitárias e outros serviços sociais básicos para os distritos, é necessário, também, que o Governo aposte na criação e alocação de recursos humanos qualificados e assegurar que tenham habitação condigna para evitar a depreciação da qualidade do ensino, dos serviços de saúde nos locais de trabalho.
Forquilha fez estas declarações nesta segunda-feira (25), em Maputo, no âmbito de um debate promovido pela Universidade Eduardo Mondlane (UEM) sobre "políticas públicas como factor de exclusão social".
De referir que, por exemplo, somente no sector da Educação o país tem um défice de 788 mil carteiras, o que faz com que milhares de instruendos assistam às aulas sentados no chão ou em tronco de árvores, um médico está para 100 mil habitantes, entre outras limitações supostamente decorrentes da exiguidade de fundo por parte do Executivo.



A Verdade

Ao mandar prender pessoas Victor Igreja diz que Armando Guebuza perdeu o debate ideológico


 O académico Victor Igreja, professor de “Estudos de Paz e Conflitos, Justiça em Transição e Antropologia” na Universidade de Queensland na Austrália diz que Armando Guebuza abandona a Presidência da República “para baixo”. Segundo o académico, ao mandar prender as pessoas co...m as quais devia dialogar e ao servir-se da lei para resolver os seus conflitos, Armando Guebuza revela ter perdido o debate ideológico. Em breves declarações ao “Canalmoz”, o académico disse que o erro que a Frelimo cometeu nos últimos 30 anos, cometeu-o durante a governação de Guebuza, quando nega dialogar com Renamo. Victor Igreja considera que não havia necessidade de derramamento de sangue para se alcançar consensos.
“O presidente Guebuza ‘sai para baixo’, porque ele perdeu o debate ideológico”, considerou o académico, e a seguir afirmou: “Um dos fundamentos da democracia é a criação de oportunidades para debate e troca de ideias”. Igreja diz que “o presidente Guebuza perde a batalha das ideias quando começa a prender pessoas”. Foi durante o mandato de Guebuza que foram detidos os membros da Renamo, Jerónimo Malagaueta e António Muchanga. Há também cidadãos que foram intimados por expressar publicamente as suas ideias, como são os casos do professor Castel-Branco, a activista dos Direitos Humanos Alice Mabota e o músico Azagaia. Para o Victor Igreja, “quando um dirigente político começa a olhar para as leis como forma de resolver os seus conflitos, quer dizer que perdeu a capacidade de transmitir uma mensagem que possa ser discutida na sociedade”. Entretanto, explica: “Institucionalmente não podemos dizer que é ele quem manda, mas, porque todos os órgãos de soberania estão sob controlo da Frelimo, há uma tendência de as pessoas dizerem que ele é quem manda”. Victor Igreja acha que “nada pode acontecer sem que ele saiba”, e que o Presidente da República “saiu bastante lesado”.


O erro da Frelimo com Guebuza no poder


Para Victor Igreja, “um dos erros mais graves que a Frelimo cometeu nos últimos 30 anos, comete-o quando o presidente Guebuza está no poder”. O professor aponta o facto de o Presidente da República ter negado “dialogar com a Renamo”, o que “originou uma nova guerra”. “O presidente Guebuza recusou-se muitas vezes encontrar-se com o presidente da Renamo, mesmo sabendo que o presidente e a própria Renamo são um dos pilares da unidade”, disse. O erro, segundo o professor, tem a ver com o facto de o Governo ter aceitado dialogar com a Renamo depois de começar o conflito. O que era desnecessário. O professor defende que, por causa do seu lado “radical”, Guebuza quis acabar com a Renamo de forma rápida, contrariando a ideia da “morte lenta” defendida por Joaquim Chissano. “Os radicais nunca fazem mudanças de forma estratégica. Para fazer mudanças, é preciso reconhecer a existência do seu adversário político”, declara Victor Igreja. Segundo o nosso interlocutor, “os radicais ignoram a existência dos adversários políticos”.


Frelimo dá um valor político à Guerra


Recentemente foi rubricado o memorando de entendimento entre o Governo e a Renamo, colocando fim à guerra que o país viveu nos últimos tempos. Sobre o assunto, o Victor Igreja considera que a Frelimo “deixa um legado de que as verdadeiras transformações que podem ocorrer num país não vêm do debate de ideias, mas da guerra”. As declarações do chefe da delegação do Governo nas negociações, José Pacheco, de reconhecer a justeza das reivindicações da Renamo depois de a guerra começar, indicam que “um dos instrumentos para a mudança no país é por via da violência”. Victor Igreja considera que esta é a mensagem que a Frelimo transmite. “Eles não dizem isso, mas, quando fazemos a leitura dos seus procedimentos, é isso que sobressai. Victor Igreja foi orador no tema “Resources of Violence and War for Political Negociations and Legitimacy in Mozambique” [Recursos de Violência e de Guerra para Negociações Políticas em Moçambique], na II Conferência do Instituto de Estudos Económicos e Sociais (IESE), realizada nos dias 27 e 28 de Agosto em Maputo.



(André Mulungo, Canalmoz)

Síria: Dez portugueses entre os novos jihadistas internacionais

Desde que o conflito na Síria começou, foram já dez os portugueses que decidiram fazer parte dos jihadistas. Segundo o Diário de Notícias (DN), nos últimos três anos foram 12.000 os ocidentais que se alistaram nestes grupos terroristas, muitos criados por membros da Al-Qaeda.
 
                                  
Dez portugueses entre os novos jihadistas internacionais

 
Existem dez portugueses entre os 12.000 estrangeiros que se alistaram por grupos jihadistas nos últimos três anos.
       
Segundo o Diário de Notícias (DN), o número de ocidentais a juntarem-se a estes grupos terroristas aumentou desde o início do conflito na Síria e a grande maioria vem dos Estados Unidos, Canadá, Austrália e até mesmo Rússia. Ao todo, são 12.000 mil cidadãos de 81 países.
No que diz respeito aos portugueses, continua a publicação, os que se juntaram aos jihadistas nasceram em Portugal mas a conversão ao islão e a radicalização aconteceu noutro país.
Ao jornal, o presidente do conselho consultivo do OSCOT, Manuel Anes, explicou que Portugal não deve temer o regresso destes cidadãos, até porque “o nosso país não discrimina”.
Ontem, o Expresso deu a conhecer o caso de Ângela. Uma jovem de 19 anos e filha de pais alentejanos que fugiu para a Síria para casar com um português agora jihadista.
Os jihadistas internacionais são, normalmente, jovens, mais concretamente adolescente, e vêm de países de maioria não muçulmana.



Notícias ao minuto

Sunday, 31 August 2014

– GUEBUZA E DHLAKAMA ENCONTRAM-SE SEXTA-FEIRA EM MAPUTO

O Presidente da República, Armando Guebuza, deverá reunir-se sexta-feira em Maputo, para homologar, com o líder da Renamo, os acordos alcançados em sede do diálogo entre as delegações e do maior partido da oposição.
Um comunicado da Embaixada da Itália, recebido pela AIM, avança que o líder da Renamo manifestou a sua disponibilidade de retornar a Maputo, esta quinta-feira. Esta decisão surge na sequência de um encontro que manteve em Gorongosa com uma delegação do Governo italiano.
Aliás, fontes da AIM em Nampula, confirmam terem visto a referida delegação italiana, que se fazia acompanhar de Ivone Soares, deputada parlamentar da Renamo, a saída de um encontro com o estadista moçambicano na capital daquela província, onde Guebuza lançou hoje, oficialmente, a campanha do seu partido para as V eleições gerais a ter lugar a 15 de Outubro próximo.
A delegação italiana, que manteve um encontro com Dhlakama, no sábado, na Serra da Gorongosa, província central de Sofala, era composta por Dom Matteo Zuppi da Comunidade de Sant’Egidio, Embaixador da Itália acreditado em Moçambique, Roberto Vellano e pelo Vice-Ministro do desenvolvimento económico, Carlo Calenda.
Refira-se que Dom Matteo Zuppi é membro da Comunidade de Santo Egídio, organização religiosa italiana que esteve em frente das negociações que colocaram fim, em 1992, à guerra civil dos 16 anos em Moçambique.
Na ocasião, Dhlakama garantiu a delegação italiana o seu empenho para que as eleições decorram num clima pacífico e sereno, tendo pedido ao Governo para que garanta o cumprimento de todos os passos posteriores ligados a aplicação dos acordos, a partir da ratificação parlamentar dos mesmos num breve espaço de tempo.
O documento adianta que depois do acordo de cessação das hostilidades e sobre as modalidades de desenvolvimento das eleições, continua aberta a questão da saída de Afonso Dhlakama de Gorongosa e o seu regresso a normal actividade política.
Ivone Soares, que também é sobrinha de Dhlakama confirma o encontro na sexta-feira próxima na sua página de “Facebook”.
Hoje estive com o Presidente da República Armando Guebuza. Foi um encontro muito cordial. A boa nova é que teremos o frente a frente Guebuza - Dhlakama sexta-feira em Maputo”, escreve Soares no “Facebook”.



(AIM)

Dhlakama disponibiliza-se a abandonar as matas


O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, mostrou sua disponibilidade de retornar a Maputo na quinta-feira para homologar com o Presidente da República, Armando Guebuza, os acordos alcançados e conduzir a sua campanha eleitoral.
A disponibilidade foi manifestada ontem (30/08), na serra da Gorongosa, durante um encontro que manteve com o Vice-Ministro do Governo italiano, Carlo Calenda, Dom Matteo Zuppi, da Comunidade de Sant Egidio, e o Embaixador da Itália, Roberto Vellano.
Dhlakama garantiu, ainda, o seu empenho para que as eleições decorram num clima pacífico e sereno. O líder do maior partido da oposição, em Moçambique, pediu que o Governo moçambicano garanta o cumprimento de todos os passos posteriores ligados a aplicação dos acordos, a partir da ratificação parlamentar dos mesmos num breve espaço de tempo, um compromisso que o Chefe do Estado moçambicano confirmou pessoalmente ao Vice-Ministro italiano, tal como refere o comunicado de imprensa da Embaixada italiana em nosso poder.
A Embaixada garante, através do comunicado, colaborar com o Governo moçambicano e a Renamo para apoiar o regresso de Dhlakama à Maputo.
(Dalton Sitoe, Idolo)

Dhlakama só sai depois da ratificação do acordo em lei

Dhlakama só sai depois da ratificação do acordo em lei

O Líder da Renamo, Afonso Dhlakama não vai sair antes que a Assembleia da República(AR), ractifique os acordos assinados no Centro de Conferência Joaquim Chissano em lei.
Quem diz é o Secretário-geral da Renamo, Manuel Bissopo que se encontra em Quelimane para dirigir a campanha eleitoral do seu partido.
Falando esta manhã logo após a sua saída da missa na Sé Catedral de Quelimane, Bissopo explicou ao Diário da Zambézia que o seu líder não sairá hoje para dirigir a campanha eleitoral como se propala por ai.
Segundo Bissopo, a aparição do líder daquele que é o segundo maior partido político do país está refém da transformação em lei de tudo aquilo que foi assinado na semana passada entre o governo e a Renamo.
Num outro passo, a fonte disse que neste momento não há condições para o líder sair, dai que enquanto a AR não se reunir para ractificar os acordos em lei, ai ninguém vai ver Afonso Dhlakama. Refira-se que ontem, um quadro sénior da Renamo em Sofala havia garantido que o seu líder sairia este domingo.

Que a campanha seja ordeira

VOLTO a insistir no ditado popular que diz que se não amas o povo, se apenas te queres servir dele para “subir” na vida, em nome da honestidade que deves aos seus concidadãos, deixa a política, dedica-te a outras tarefas em que podes ser útil, porque se insistires podes comprometer a liberdade, sobretudo a democracia que é igualmente a razão de ser do orgulho de um povo.
Nunca sejas, por sua convicção, “moleque” político onde quer que estejas, porque na realidade a política é para os que amam o povo, respeitando-o e ajudando-o a libertar-se das algemas opressoras do medo, libertar-se da corrupção, pobreza absoluta, regionalismo, tribalismo e outros males que em nada contribuem para a construção e consolidação dessa democracia.
Vem isto a propósito do arranque, no próximo domingo, da campanha eleitoral para o escrutínio aprazado para o dia 15 de Outubro do ano em curso, que todos esperamos que ela decorra de forma ordeira e pacífica, conferindo assim o sentido verdadeiro da festa da democracia no nosso país.
Penso que não há palavras novas para se dizer sobre a violência que se tem assistido em tempos de “caça” ao voto, senão repetirmos todos os apelos que temos feito aqui, na perspectiva de, mais uma vez, essa campanha seja transformada efectivamente num momento de festa, cidadania e reforço da unidade nacional.
Não seria do nosso gosto que a campanha fosse feita através da manipulação do eleitorado e das distorções de factos no terreno. Que a ninguém possa convir a desviar os eleitores do essencial, e o essencial neste caso é tudo contra a violência que os membros e simpatizantes dos partidos políticos protagonizam.
Vandalismos como os que temos sido dados a observar, servem única e simplesmente para manchar as eleições. Por outro lado, numa eleição como a que vai acontecer no dia 15 de Outubro próximo, espera-se uma campanha muito movimentada, mas que não contribua mais para aumentar, como se tem registado em tempos eleitorais no país, uma abstenção, antes pelo contrário para uma maior e mais esclarecida participação de milhares de eleitores moçambicanos já inscritos pelos órgãos competentes.
Temos grandes partidos políticos, nomeadamente FRELIMO, RENAMO e MDM, que em algum momento convivem mal, o que não dignifica a nossa jovem democracia. Num país como o nosso, em cuja vida política e os estereótipos ainda “reinam”, a tentação de aliviar as frustrações políticas sobre quem não responde ou aguenta num determinado partido, torna-se necessária a tomada de atitudes patrióticas, para que não haja manipulação das nossas consciências.
E porque continuamos e continuaremos absolutamente convencidos de que a forma mais eficaz de prevenir e combater as escaramuças político-partidárias no nosso país, é a educação dos membros e simpatizantes dos partidos políticos para que eles façam campanhas eleitorais de forma civilizada. Uma educação feita a partir dos que são líderes, que, nalgumas vezes, é que incitam as escaramuças.
A democracia não se consolida ou nunca teremos um processo democrático com qualidade que desejamos, enquanto pensarmos que para tal são necessárias em tempos de campanhas eleitorais pedras para arremessar contra os compatriotas, ou proferir insultos, praticar agressões físicas, desrespeitar os nossos adversários, etc. Porém, esperamos que desta vez isso não venha a acontecer, até porque vamos realizar a campanha e respectiva votação com clima de paz, na sequência do fim das hostilidades militares entre o Governo e a RENAMO.

 Mouzinho de Albuquerque, Notícias

Saturday, 30 August 2014

RENAMO REÚNE-SE PARA DEFINIR DISCIPLINA DURANTE A CAMPANHA ELEITORAL

A Renamo, maior partido de oposição em Moçambique, reuniu-se hoje, em Maputo, com os delegados de todos os distritos e bairros para definir as melhores formas de manter a disciplina durante a campanha eleitoral que arranca, este Domingo, em Moçambique.
A Renamo abre a sua campanha na província central da Zambézia, segundo Eduardo Namburete, membro sénior do partido, e Deputado da Assembleia da República (AR), o parlamento moçambicano.
A abertura oficial da campanha da Renamo será dirigida pelo secretário-geral do partido, Manuel Bissopo.
Estamos com os delegados de todos os distritos e de todos os bairros, para poderem receber, da direcção do partido, as recomendações de como é que devemos nos comportar durante a campanha”, disse.
Namburete garantiu que o presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, vai aparecer e fazer a campanha em tempo oportuno.
O presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, vai aparecer e fazer campanha em tempo oportuno e a comunicação social será informada de quando e onde é que o presidente vai se fazer ao terreno para contactar o seu povo”, disse.


(AIM)

Que a campanha seja ordeira


VOLTO a insistir no ditado popular que diz que se não amas o povo, se apenas te queres servir dele para “subir” na vida, em nome da honestidade que deves aos seus concidadãos, deixa a política, dedica-te a outras tarefas em que podes ser útil, porque se insistires podes comprometer a liberdade, sobretudo a democracia que é igualmente a razão de ser do orgulho de um povo.
Nunca sejas, por sua convicção, “moleque” político onde quer que estejas, porque na realidade a política é para os que amam o povo, respeitando-o e ajudando-o a libertar-se das algemas opressoras do medo, libertar-se da corrupção, pobreza absoluta, regionalismo, tribalismo e outros males que em nada contribuem para a construção e consolidação dessa democracia.
Vem isto a propósito do arranque, no próximo domingo, da campanha eleitoral para o escrutínio aprazado para o dia 15 de Outubro do ano em curso, que todos esperamos que ela decorra de forma ordeira e pacífica, conferindo assim o sentido verdadeiro da festa da democracia no nosso país.
Penso que não há palavras novas para se dizer sobre a violência que se tem assistido em tempos de “caça” ao voto, senão repetirmos todos os apelos que temos feito aqui, na perspectiva de, mais uma vez, essa campanha seja transformada efectivamente num momento de festa, cidadania e reforço da unidade nacional.
Não seria do nosso gosto que a campanha fosse feita através da manipulação do eleitorado e das distorções de factos no terreno. Que a ninguém possa convir a desviar os eleitores do essencial, e o essencial neste caso é tudo contra a violência que os membros e simpatizantes dos partidos políticos protagonizam.
Vandalismos como os que temos sido dados a observar, servem única e simplesmente para manchar as eleições. Por outro lado, numa eleição como a que vai acontecer no dia 15 de Outubro próximo, espera-se uma campanha muito movimentada, mas que não contribua mais para aumentar, como se tem registado em tempos eleitorais no país, uma abstenção, antes pelo contrário para uma maior e mais esclarecida participação de milhares de eleitores moçambicanos já inscritos pelos órgãos competentes.
Temos grandes partidos políticos, nomeadamente FRELIMO, RENAMO e MDM, que em algum momento convivem mal, o que não dignifica a nossa jovem democracia. Num país como o nosso, em cuja vida política e os estereótipos ainda “reinam”, a tentação de aliviar as frustrações políticas sobre quem não responde ou aguenta num determinado partido, torna-se necessária a tomada de atitudes patrióticas, para que não haja manipulação das nossas consciências.
E porque continuamos e continuaremos absolutamente convencidos de que a forma mais eficaz de prevenir e combater as escaramuças político-partidárias no nosso país, é a educação dos membros e simpatizantes dos partidos políticos para que eles façam campanhas eleitorais de forma civilizada. Uma educação feita a partir dos que são líderes, que, nalgumas vezes, é que incitam as escaramuças.
A democracia não se consolida ou nunca teremos um processo democrático com qualidade que desejamos, enquanto pensarmos que para tal são necessárias em tempos de campanhas eleitorais pedras para arremessar contra os compatriotas, ou proferir insultos, praticar agressões físicas, desrespeitar os nossos adversários, etc. Porém, esperamos que desta vez isso não venha a acontecer, até porque vamos realizar a campanha e respectiva votação com clima de paz, na sequência do fim das hostilidades militares entre o Governo e a RENAMO.


Mouzinho de Albuquerque

Notícias

Humor


Savana, 22/08/14

Friday, 29 August 2014

Centenas saem à rua para celebrar 6º aniversário do MDM


 


A marcha marcou a celebração da data em que uma ala da Renamo decidiu abandonar o partido para criar o que é hoje o segundo maior partido da oposição
 
O Movimento Democrático de Moçambique (MDM) assinalou, esta quinta-feira, o seu 6º aniversário da “Revolução de 28 de Agosto”, que ficou registada na história do partido como o dia em que as bases da Renamo se revoltaram contra a liderança, ao nível de Sofala, por ter apontado Manuel Pereira como candidato à sucessão de Daviz Simango no cargo de presidente do município da Beira. 

Para assinalar passagem da  data, milhares de membros e simpatizantes do MDM realizaram uma marcha  que percorreu algumas artérias da cidade da Beira, a qual chegou a condicionar a circulação de pessoas e bens.
A marcha, liderada por Daviz Simango, iniciou e terminou no populoso bairro da Munhava, com uma longa paragem no bairro dos Pioneiros, ao longo da auto-estrada, a escassos metros do posto policial da zona de Massamba. Foi naquele local onde alguns membros do jovem partido, na altura pertencentes à Renamo,  mas em plena manifestação a favor de Daviz Simango, foram feridos com alguma gravidade pela polícia, alegadamente por estarem a perturbar a ordem e segurança públicas.
Refira-se que, em princípios de Agosto de 2008, a liderança da Renamo ao nível da província de Sofala decidiu candidatar Manuel Pereira, antigo delegado político provincial desta formação política, ao cargo de presidente do Conselho Municipal da Beira, em detrimento de Daviz Simango, que já era presidente do município, eleito com apoio da Renamo em 2003. As bases deste partido revoltaram-se, pois pretendiam recandidatar Daviz Simango.
Este facto gerou uma grande polémica no seio da Renamo, na Beira, que veio a terminar com a divisão do partido, no dia 28 de Agosto de 2008, com a maioria Daviz Simango e uma minoria a apoiar Manuel Pereira. Meses depois, a Renamo decidiu expulsar Daviz Simango das suas fileiras. Este, com apoio dos membros da Renamo, concorreu como independente e derrotou os seus adversários com muita facilidade nas eleições autárquicas de 2008.
Em Março de 2009, foi formalmente fundando o MDM, que em tempo recorde conquistou espaço na arena política nacional, e já colocou deputados nas assembleias da República, provincial e municipal, sendo que até  já dirige quatro municípios.
A marcha do MDM culminou com um “mega-comício” no populoso bairro da Munhava, onde Daviz Simango pediu aos seus partidários para se unirem, de modo a garantirem que nas eleições que se avizinham, cuja campanha inicia no próximo domingo, saiam vencedores. “Mas o  mais importante para o MDM é que todos os outros candidatos e outras forças políticas e de forma particular os órgão eleitorais saibam transformar este exercício democrático numa festa nacional”.



O País

“Guebuza não contribuiu para a unidade dos moçambicanos”


Considera o académico Victor Igreja



 O jargão da unidade nacional foi afinal uma fraude. O professor de “Estudos de Paz e Conflitos, Justiça em Transição e Antropologia” na Universidade de Queensland, na Austrália, Victor Igreja, considera que o actual Presidente da República, Armando Guebuza, pode ter contribuído para muita coisa, mas não conseguiu unir os moçambicanos. Victor Igreja fundamenta a sua posição em dois pontos: por um lado, a recriação e institucionalização das células do partido Frelimo nas instituições públicas, onde apenas membros da Frelimo podem ocupar cargos de chefia; por outro lado, as reformas nas Forças Armadas, destacando as aposentações compulsivas dos oficiais da Renamo.
Para o académico, tanto no primeiro como no segundo caso, Armando Guebuza contribuiu para a exclusão e automaticamente para uma situação de divisão e de conflitos latentes.
Segundo Victor Igreja, o antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, depois das primeiras eleições, “iniciou um processo de reforma, que passava pela separação entre partido, Estado e Governo”. No entanto, prossegue Victor Igreja, “certos sectores radicais da Frelimo nunca aceitaram esse tipo de visão da política”. Segundo Igreja, foi com a ascensão ao poder, em 2004, de Armando Guebuza, “conhecido dentro do partido como a pessoa que incorpora os valores radicais do partido”, que o fenómeno das células volta a ganhar terreno. Victor Igreja explica que os “valores radicais” devem ser entendidos “no sentido de que, quando se fazem mudanças, devem ser rápidas”. O nosso interlocutor conta que é “no 9o Congresso onde [Guebuza] consolida o seu poder, a sua visão radical de mudança da sociedade”.
O académico entende que “ao recriar células dentro das instituições, cria um clima de divisão, porque quem não é da Frelimo não pode assumir cargos de chefia”. Para o professor, a criação de células é uma antítese da ideia de unidade na diversidade. E é contra “a perspectiva da unidade”.



Reformas nas FADM


O segundo ponto da tese de Victor Igreja tem a ver com as reformas repentinas nas Forças Armadas de Defesa de Moçambique. Victor Igreja diz que, sendo Guebuza “parte daquela ala da Frelimo que advoga a ideia de que um Estado, um Governo, só existe quando há controlo das Forças Armadas”, desmobilizou a maior parte dos homens da Renamo, que estavam no Exército, “de forma rápida e óbvia”. Isso “é contra o princípio da unidade”, concluiu.
Victor Igreja foi orador no tema “Recurso à violência e à guerra para negociações políticas e legitimidade em Moçambique”, na II Conferência do Instituto de Estudos Económicos e Sociais (IESE), que terminou ontem em Maputo.
Photo: “Guebuza não contribuiu para a unidade dos moçambicanos” (#canalmoz)

Considera o académico Victor Igreja 

Maputo (Canalmoz) – O jargão da unidade nacional foi afinal uma fraude. O professor de “Estudos de Paz e Conflitos, Justiça em Transição e Antropologia” na Universidade de Queensland, na Austrália, Victor Igreja, considera que o actual Presidente da República, Armando Guebuza, pode ter contribuído para muita coisa, mas não conseguiu unir os moçambicanos. Victor Igreja fundamenta a sua posição em dois pontos: por um lado, a recriação e institucionalização das células do partido Frelimo nas instituições públicas, onde apenas membros da Frelimo podem ocupar cargos de chefia; por outro lado, as reformas nas Forças Armadas, destacando as aposentações compulsivas dos oficiais da Renamo. 
Para o académico, tanto no primeiro como no segundo caso, Armando Guebuza contribuiu para a exclusão e automaticamente para uma situação de divisão e de conflitos latentes.       
Segundo Victor Igreja, o antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, depois das primeiras eleições, “iniciou um processo de reforma, que passava pela separação entre partido, Estado e Governo”. No entanto, prossegue Victor Igreja, “certos sectores radicais da Frelimo nunca aceitaram esse tipo de visão da política”. Segundo Igreja, foi com a ascensão ao poder, em 2004, de Armando Guebuza, “conhecido dentro do partido como a pessoa que incorpora os valores radicais do partido”, que o fenómeno das células volta a ganhar terreno. Victor Igreja explica que os “valores radicais” devem ser entendidos “no sentido de que, quando se fazem mudanças, devem ser rápidas”. O nosso interlocutor conta que é “no 9o Congresso onde [Guebuza] consolida o seu poder, a sua visão radical de mudança da sociedade”. 
O académico entende que “ao recriar células dentro das instituições, cria um clima de divisão, porque quem não é da Frelimo não pode assumir cargos de chefia”. Para o professor, a criação de células é uma antítese da ideia de unidade na diversidade. E é contra “a perspectiva da unidade”. 

Reformas nas FADM

O segundo ponto da tese de Victor Igreja tem a ver com as reformas repentinas nas Forças Armadas de Defesa de Moçambique. Victor Igreja diz que, sendo Guebuza “parte daquela ala da Frelimo que advoga a ideia de que um Estado, um Governo, só existe quando há controlo das Forças Armadas”, desmobilizou a maior parte dos homens da Renamo, que estavam no Exército, “de forma rápida e óbvia”. Isso “é contra o princípio da unidade”, concluiu. 
Victor Igreja foi orador no tema “Recurso à violência e à guerra para negociações políticas e legitimidade em Moçambique”, na II Conferência do Instituto de Estudos Económicos e Sociais (IESE), que terminou ontem em Maputo. (André Mulungo)

 (André Mulungo, Canalmoz)

Frelimo e MDM escolhem Nampula para arranque da campanha eleitoral

A Frelimo, partido no poder em Moçambique, anunciou hoje o arranque da sua campanha eleitoral, na província de Nampula, o maior círculo eleitoral do país, também escolhido pelo MDM, terceiro maior partido, para o início da sua campanha.


Falando em conferência de imprensa, o porta-voz da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique), Damião José, disse que o início da campanha do partido paras as eleições gerais de 15 de outubro (presidenciais, legislativas e assembleias provinciais) vai acontecer no domingo e será orientado por Armando Guebuza, presidente do partido e chefe de Estado, na presença do candidato do partido às presidenciais, Filipe Nyusi.
"A Frelimo está pronta para uma campanha eleitoral ordeira, condigna e em ambiente de paz, com o objectivo de garantir uma vitória expressiva para o partido e para o seu candidato às presidenciais, Filipe Nyusi", declarou José.
O partido no poder, assinalou o porta-voz, espera que "a campanha eleitoral que arranca no domingo se desenrole num clima de festa da democracia e não num clima de confrontação".
Damião José adiantou que as acções de campanha nas capitais das 11 províncias moçambicanas serão dirigidas por membros da Comissão Política e chefes das brigadas centrais de preparação das eleições do partido.
O MDM (Movimento Democrático de Moçambique), o terceiro maior partido moçambicano, anunciou quarta-feira que também vai lançar a campanha para as eleições gerais na cidade de Nampula, no domingo.
Falando numa conferência de imprensa, por ocasião do início da campanha eleitoral, o porta-voz do MDM, Sande Carmona, disse que a campanha do partido para as eleições gerais será lançada pelo líder e candidato presidencial pelo movimento, Daviz Simango.
A Renamo ainda não divulgou o local do arranque da sua campanha eleitoral, mas em entrevista telefónica à Lusa, o líder do movimento admitiu que poderá voltar a residir na cidade de Nampula, onde vivia antes de se instalar no seu acampamento em Sanjunjira, de onde fugiu em outubro do ano passado, na sequência de um ataque do exército ao local.
A campanha eleitoral para as eleições gerais moçambicanas, as quintas na história da democracia do país, vai decorrer durante 45 dias e termina a 13 de Outubro, dois dias antes da votação.

Ajuda a Azagaia


Matias Guente lança “Política e Informação”





Hoje, sexta-feira, em Maputo


Maputo (Canalmoz) – Hoje, sexta-feira, na sede do Parlamento Juvenil em Maputo, vai ser realizado o lançamento do primeiro livro do jornalista Matias Guente, com o título “Política e Informação”. A obra é uma colectânea de artigos de reflexão crítica sobre o processo político de Moçambique, publicados nos últimos cinco anos.
Em declarações ao “Canalmoz”, Matias Guente explicou que a ideia de publicar um livro de reflexões faz parte do seu contributo para a análise crítica do processo político nacional e representa, nas suas palavras, um contraditório à narrativa que tem sido divulgada sobre a governação.
“Vivemos uma época muito crítica que requer por parte dos jornalistas a interpretabilidade independente dos factos. O jornalista não se deve limitar a narrar, mas deve ter, depois das notícias, a sua opinião oficial sobre os acontecimentos. Há uma tendência de um consenso sobre o culto ao poder, um pacto de silêncio, que empurra a informação para um nível secundário, priorizando-se a propaganda. E o que quero dizer com este livro é que há uma outra narrativa sobre a governação, que não está a ser contada às pessoas”, disse.
Chancelada pela editora “Canal i”, a obra tem prefácio do jornalista e escritor Adelino Timóteo, posfácio de Salomão Moyana, jornalista e actual vogal da Comissão Nacional de Eleições, e um comentário de contracapa de Fernando Veloso, director do semanário “Canal de Moçambique”.
Sobre a possibilidade de vir a escrever outros livros, Matias Guente diz que é um desejo, afirmando que o que pretende mesmo é escrever livros sobre o jornalismo.
Matias Guente, natural da cidade da Beira, é jornalista de profissão e de formação. É licenciado em Jornalismo pela Universidade Eduardo Mondlane e actualmente desempenha as funções de Editor Executivo do semanário “Canal de Moçambique” e do diário digital “Canalmoz”, ambos editados em Maputo.

Thursday, 28 August 2014

Dhlakama reaparece no sábado

 
O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, deve reaparecer em público depois de amanhã, sábado, segundo garantiu ao O País uma fonte fidedigna próxima dele.
Dhlakama sairá de "parte incerta" de manhã para a residência do pai, em Chibabava, para cumprimentar a familia. Daqui, seguirá para a cidade da Beira, onde pernoitará. No domingo, orienta o comício de abertura da campanha eleitoral, na Munhava, populoso bairro suburbano da cidade da Beira. Na 2af, parte para Nampula para prosseguir a sua companha.


O País

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Legalização do fim das hostilidades entre Frelimo e Renamo

Concertações no Parlamento iniciaram ontem e hoje chefes das bancadas devem reunir-se


A Comissão Permanente da Assembleia da República não chegou a reunir formalmente ontem, mas os seus principais membros estiveram desde às primeiras horas da manhã a concertar formas de concretizarem a reunião que tem a exclusiva competência de convocar a sessão Extraordinária da Assembleia da República para que finalmente se legalizem os entendimentos alcançados pelo Governo da Frelimo e a Renamo através dos quais o país poderá ver terminado o conflito político-militar entre as duas organizações desavindas.
Hoje, quinta-feira, poder-se-á dar um passo importante para que finalmente a Comissão Permanente se reúna com todos os seus membros.
Ontem houve troca de correspondência e de telefonemas entre membros determinantes da Comissão Permanente e hoje poderá então haver, cerca do meio dia, uma reunião das chefias das bancadas da Frelimo e da Renamo, alargada à chefia da Bancada do MDM.
A Bancada da Frelimo é chefiada por Margarida Talapa, a da Renamo por Angelina Enoque e a do MDM por Lutero Simango.
Do encontro entre os chefes das três bancadas parlamentares poderá sair o entendimento para que a Comissão Permanente da Assembleia da República se possa então reunir formalmente para convocar a sessão extraordinária do Parlamento que finalmente irá converter em lei os entendimentos já assinados, no último domingo, por José Pacheco, com mandato do Presidente da República, e Saimone Macuiana, com procuração do presidente Afonso Dhlakama, da Renamo.
Numa entrevista exclusiva ao “Canal de Moçambique” na noite de terça-feira, a presidente da Assembleia da República, Verónica Macamo, disse que o impasse sobre os passos subsequentes aos entendimentos alcançados entre o Governo da Frelimo e a Renamo para ser ultrapassado dependeria das bancadas.
O vice-presidente da Assembleia da República e deputado pela Renamo, Viana de Magalhães, declarou ontem à noite ao CanalMoz que os chefes das três bancadas deverão reunir hoje por volta das 12h00 para verem a quantas andam “as coisas” para que se acelere a realização da sessão extraordinária.
Viana de Magalhães salientou ao Canalmoz que “é de todo nosso interesse que a Assembleia da República dê um cunho jurídico mais acentuado aos entendimentos já alcançados”.
“A Assembleia da República assegura que as garantias sejam efectivas. Seria a própria Assembleia da República a chamar a si o assunto e a garantir uma paz efectiva”, salientou Magalhães.
Interrogado sobre se o encontro entre os presidentes Armando Guebuza e Afonso Dhlakama se realizaria antes ou depois dos entendimentos, Declaração de Cessar-Fogo e as respectivas actas das conversações serem convertidas em Lei, promulgadas pelo Presidente da República e publicada em Boletim da República, o vice-presidente da Assembleia da República, Viana de Magalhães, afirmou que “o encontro será apenas “simbólico” como consta expressamente numa das actas sobre a Cessação de Hostilidades”. Para este parlamentar é urgente que se concretizem os aspectos formais e depois se resolva as questões relacionadas com o “encontro simbólico”, termo que consta expresso numa acta da Declaração de cessar-fogo.



Canalmoz

ENTRE MUXÚNGUÈ E SAVE: Fim de colunas


 
FOI desactivada a partir da manhã de ontem a escolta das Forças de Defesa e Segurança que acompanhava diariamente a coluna de viaturas ao longo da Estrada Nacional Número Um (N1) num perímetro de 110km no troço compreendido entre o posto administrativo de Muxúnguè, no distrito de Chibabava, em Sofala, e a Vila Franca do Save, em Govuro, na província de Inhambane.
Tal deve-se à assinatura na noite de domingo do acordo de cessação das hostilidades entre o Governo e a Renamo, sendo que a vida voltou já à normalidade com o pleno funcionamento de todas as instituições públicas e privadas com o registo de intenso movimento de pessoas e bens naquela única rodovia que liga o país do Rovuma ao Maputo.
A Reportagem da nossa Delegação da Beira, que propositadamente se posicionou logo pela manhã de ontem na vila de Muxúnguè, testemunhou que o primeiro dia foi caracterizado pelo regresso massivo das pessoas que no então período de tensão político-militar se haviam deslocado para locais mais seguros, como maior destaque para as cidades da Beira, Chimoio e Inhambane.
Funcionários de vários estabelecimentos, com realce para as unidades sanitárias e escolares, estavam envolvidos até ao princípio da tarde de ontem em jornadas de limpeza e ornamentação dos seus tradicionais locais de actividade.
O facto, que também coincide esta semana com o calendário escolar nacional do início das aulas neste terceiro trimestre, excitou sobremaneira a actividade de ensino/aprendizagem.
Cenário semelhante estendeu-se na reabilitação das bancas e barracas fixas, incluindo residências que se encontravam completamente abandonadas. O ananás e a amêndoa da castanha de caju, que constituem o cartaz do produto de rendimento em Muxúnguè, voltaram à ribalta, enquanto, paradoxalmente, estabelecimentos de indústria hoteleira e similares estavam ainda a dar os primeiros passos para o reinício da actividade normal.
No geral, o custo de vida contínua alto, mas autoridades administrativas, operadores económicos e residentes de Muxúnguè esperam que gradualmente os preços de produtos da primeira necessidade venham a estabilizar-se até baixar nos próximos dias.
Desde o dia 4 de Abril do ano passado até esta quarta-feira a circulação de pessoas e bens estava condicionada entre Muxúnguè e rio Save a duas colunas por dia, sendo uma de manhã e outra no período da tarde, expondo os viajantes a riscos de vida com ataques de homens armados da Renamo, culminando com o luto, mutilações e avultados danos materiais.
Consequentemente, isto criava pânico no seio dos utentes da rodovia e quase que todos os moradores de Muxúnguè e ao longo do traçado da Estrada Nacional Número Um, anteriormente crítico, incluindo Machanga, pernoitavam nas matas, conforme relataram ontem ao nosso repórter no terreno. Porém, desejaram a manutenção da paz para impulsionar cada vez mais a economia e o bem-estar de todos.



Notícias

Wednesday, 27 August 2014

MDM defende compensação às vítimas da tensão político-militar

     
 
Lutero Simango

O Movimento Democrático de Moçambique (MDM) instou, esta segunda-feira, o Governo a compensar as vítimas directas e indirectas dos cerca de dois anos da tensão político-militar que “terminou” na noite de domingo, com a declaração de cessar-fogo.
Esta exortação foi feita na Assembleia da República, pelo chefe da bancada daquele partido, no seu discurso de encerramento das sessões ordinárias da VII Legislatura. “Exortamos o governo do dia a encontrar mecanismos para apoiar a normalização de todos aqueles que directamente foram afectados por esta tensão”, disse Lutero Simango.
O MDM considera que a tensão política ora “finda” podia ter sido evitada e solidarizou-se com as vítimas, nomeadamente os órfãos e todos os que perderam os seus familiares. A solidariedade foi extensiva “aos familiares dos militares, policiais, guerrilheiros e outros que, injustificadamente, perderam as suas vidas”.
Aquele partido considera mesmo que as mortes registadas ao longo do último ano e meio, vítimas da tensão militar, foram resultado de uma programação política. “É imperativo nacional que esta tensão termine, efectivamente. Já basta de mortes programadas politicamente”, disse Simango, defendendo o rápido regresso à normalidade.
“O povo precisa da paz, condição necessária para que se efective uma verdadeira reconciliação nacional e se normalize a vida das pessoas, empresas e da nossa economia”.
O MDM defendeu a continuação do diálogo, para que todas as questões sejam efectivamente resolvidas. “Realçamos a nossa posição face a este diálogo, que não deve hipotecar o futuro dos moçambicanos, mas sim devolver a paz e o ambiente em que todos, sem discriminação, participem na vida política e desenvolvimento nacional”, concluiu Simango.
Refira-se que, apesar do acordo de cessar-fogo ter sido assinado e declarado, alguns sectores da sociedade continuam cépticos, na medida em que o desarmamento dos homens armados da Renamo, em particular, ainda não aconteceu.
Recordar que a implementação do acordo de cessar-fogo e dos restantes protocolos assinados no âmbito do diálogo político deverão ser supervisionados por uma equipa de observadores militares internacionais, que deverá chegar em breve ao país.



O País