Thursday, 24 July 2014

Adesão da Guiné Equatorial na CPLP "entristece" Timbane

O bastonário da Ordem dos Advogados Tomás Timbane, recebeu ontem com "tristeza" a notícia da adesão da Guiné Equatorial à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e questionou a utilidade da organização para os cidadãos dos estados-membros.
"Acompanhei com alguma tristeza esta adesão da Guiné Equatorial à CPLP", declarou Tomás Timbane citado pela agência Lusa, no dia em que os chefes de estado e de governo da Comunidade aprovaram a admissão do país africano, governado por Teodoro Obiang há 35 anos.
"Provavelmente isto é uma nova reconfiguração da própria CPLP", afirmou o bastonário moçambicano, acrescentando que "já havia um certo desconforto dos diversos países relativamente ao papel" da organização e que agora conduziu ao "redesenhar dos objectivos principais" definidos na sua génese.



Folha de Maputo

Politização de créditos e distribuição de favores já é cultura na CPLP


Escândalos financeiros em Portugal e Angola não são novidade


Beira (Canalmoz) – Ninguém está admirado que as engenharias financeiras entre Portugal e Angola tenham trazido à tona uma situação de sujeira institucional gritante.
As compras de mansões e de andares em zonas nobres portuguesas por ge...nerais angolanos já foi documentada e denunciada por activistas políticos de Angola.
O processo de desintegração económico e financeiro português colocou aquele país na rota das lavandarias internacionais de fundos ilícitos.
Os “vistos de ouro” são uma forma de aliviar uma economia deprimida e estagnada.
Agora que se vai da ex-Metrópole para a África numa corrente migratória jamais vista, fica a impressão de que os tempos mudaram. Na verdade, nada é como antes. A economia e as relações internacionais não são feitas de piedade e nem se resumem a sentimentalismos.
O que é interessante verificar é que os “lobbies” do petróleo, sejam eles angolanos, sejam eles da Guiné Equatorial, encontram terreno fértil em Lisboa. A capital portuguesa não resiste, quando lhe acenam com novos dólares.
A cimeira da CPLP em Díli vem mostrar que as relações políticas são profundamente condicionadas por imperativos ou considerações político-económicas dos Governos.
É inútil esperar que se abracem atitudes democratizantes por Governos que aceitam acolher no seu seio um ditador com marca registada em África.
Se as economias de países produtores de gás e petróleo ou carvão não conseguem valorizar os seus recursos e, de forma transparente, precaverem-se contra a sua extinção, construindo alternativas e investindo criteriosamente, são os povos dos seus países que sofrerão as consequências. Com governantes que aderem à cleptocracia, constituindo fundos soberanos dirigidos pelos seus filhos, e empresas de credibilidade manchada dirigidas pelos seus colaboradores, não se pode augurar um bom futuro para as economias destes países.
Há uma vergonhosa tendência para ignorar e fazer vista grossa a verdadeiros factores de risco na gestão de assuntos públicos de países como os da CPLP.
Se perguntarem a um cidadão africano de expressão portuguesa o que significa ou para que serve a CPLP, serão muito poucos os que a conhecem. Reuniões, cimeiras, decerto dispendiosas, repetem-se sem que os cidadãos dos países membros tenham a oportunidade de conhecer qualquer vantagem daí resultante.
Não se pode “passar uma borracha no passado”, mas também não é criando condições para que as ditaduras se sintam impunes em África que se resolvem os verdadeiros problemas económicos e políticos de Portugal ou do Brasil.
Uma política de vistos para os cidadãos inconsistente com os objectivos proclamados significa que a CPLP é um clube de diplomatas e dirigentes governamentais. Se os salários auferidos pelos cidadãos provenientes de países da CPLP são diferentes para trabalho igual, isso significa que se está a perpetuar a desigualdade.
Fundamentar relações económicas e financeiras com base em critérios insustentáveis pode aumentar activos bancários, mas não significa desenvolvimentos dos países membros.
Portugal não pode nem deve transformar-se na lavandaria de dinheiros ilícitos de Angola ou de Moçambique. O Brasil não deve substituir a colonização portuguesa com projectos como o da “Vale”, que saca, e quase nada deixa aos habitantes locais. Se não se consegue ver vantagem na exploração mineira ou na construção civil encetada por firmas brasileiras e portuguesas, é preciso que se equacione a cooperação existente.
Queremos cooperação na CPLP, mas as vantagens devem ser mútuas.
Há uma cultura de rapina e de autoprotecção que não dignifica os Governos dos nossos países.
É tempo de os africanos, brasileiros, timorenses acordarem para a realidade dum modelo de cooperação que foi decidido sem a sua participação plena, e que os Governos teimam em manter longe do escrutínio popular.
Não é só de futebol e festivais musicais que vivem os povos. A língua que nos une deve ser veículo de aproximação e de democratização das nossas relações.
Já é tempo de informar aos Governos que não se pode pagar por resgates de bancos privados só porque estes decidiram conceder créditos sem garantias, ou porque decidiram entrar em operações insustentáveis. Os dinheiros públicos que fluem entre as nossas capitais em nome da cooperação devem ser do conhecimento dos parlamentos respectivos e servir para “alavancar” actividades de interesse mútuo.
Endividar países em nome de algo que não compensa e que simplesmente serve as nomenclaturas dos mesmos é negar aos povos recursos essenciais para o seu progresso e desenvolvimento.
É preciso uma vassourada profunda no modelo e na estruturação da cooperação na CPLP.
Com petróleo ou gás, com carvão ou ferro, com ouro ou urânio, nada acontecerá em benefício dos povos, se os governantes continuarem a julgar e a proceder como se tais recursos lhes pertencessem.




(Noé Nhantumbo, Canalmoz)

Wednesday, 23 July 2014

A cidade das acácias

 
Escrevi estas linhas a pensar no dia de amanhã. A pensar no 24 de Julho, o dia das nacionalizações em Moçambique (Saúde, Educação, Justiça) mas também, e porque não recordar, o dia que assinalava o aniversário da então cidade de Lourenço Marques, a cidade das acácias ou a pérola do Índico.
Hoje, volvidos estes anos todos, não sei se Maputo, a nossa cidade capital, merece essa honraria. Estamos confrontados com outras realidades. Estamos perante uma cidade em permanente mutação. A cidade dos arranha-céus, com cheiro a betão por tudo quanto é canto, que cresce na vertical.
A cidade das gruas ou dos “tchovas”, que vezes sem conta atrapalham o tráfego. Mas também e porque não a cidade do lixo, da imundície, das ruas esburacadas, que teimam em continuar cheias de crateras, perante o olhar impávido e sereno das autoridades municipais e especialmente daqueles que em plena campanha eleitoral autárquica de Novembro passado prometeram e não cumprem.
A cidade dos negócios de esquina, dos passeios ocupados por vendedores ambulantes. A cidade do trânsito infernal. Dos chapas a transbordar, transformados em “burro de carga”, dos “my love” apinhados, que constituem a vergonha nacional em matéria de transporte público e que vem provar a incapacidade de quem de direito de satisfazer os interesses e as necessidades básicas do munícipe.
Maputo a cidade dos múltiplos contrastes. Das  negociatas. Dos empresários e daqueles que se dizem empresários mas que de empreendedores nada têm.
A cidade das acacias Têm lábia para enganar meio mundo com toda a sorte de trambiques, tentando mostrar ao mundo o seu mundo de ostentação, assente no carro do último modelo, na compra do mais caro perfume, do almoço em restaurante ou hotel cinco estrelas. Mostras dum “poder” podre.
A cidade das acácias ou a pérola do Índico, se é que ainda a reconhecemos como tal, é a capital das múltiplas reuniões. De gente engravatada enfiada em fatos berrantes e desajeitados, alguns deles a precisarem de ferros de engomar, bastas vezes com as calças a pedirem “desculpa” aos sapatos, num verdadeiro folclore de cores que não combinam entre si. Dizem- -me que assim é que é. É slim e está na moda. É essa gente que pulula pelos hotéis onde acontecem as mais variadas reuniões, botando faladura em tudo quanto é sítio, com direito a imagem de destaque nos telejornais das nossas televisões.
A capital dos encontros promovidos pelos Ministérios ou outras Instituições Públicas, que, na maior parte dos casos, em vez de realizarem os seus Conselhos Coordenadores e/ou Consultivos na capital ou nas suas próprias Sedes, decidem esbanjar o dinheiro dos nossos impostos tendo como palco desses encontros as mais aprazíveis estâncias turísticas do nosso país como sejam Bilene, Chongoene, Pemba e por aí fora. Palcos do esbanjamento dos nossos gestores públicos, gastando rios de dinheiro que bem poderia servir para construir mais escolas e hospitais.
Maputo é a capital que infelizmente, para tristeza de todos nós, virou mictório público. As boas maneiras e as regras da boa educação foram atiradas para o caixote do lixo. A cidade virou casa de pasto, ou não fossem as “xipanelanas”, essa forma de muitas senhoras ganharem a vida honestamente, confeccionando pratos bem variados (e apetitosos, segundo me dizem) que se vendem nos passeios e nas ruas, a preços que aparentemente estão ao alcance de algumas bolsas.
Por tudo isto e por tudo o que fica por dizer, não admira que o meu querido amigo Hortêncio Langa, cantor e compositor de méritos reconhecidos da nossa praça musical, esteja desolado com a situação. Foi ele que em 1992, em comemoração dos 115 anos da cidade capital de Moçambique, compôs e gravou a canção “Maputo” - .Maputo xonguila demais, xilunguine, quem te abraça não te larga mais.
Não sei se poderemos dizer que Maputo continua a ser uma “cidade próspera, bela, limpa, segura e solidária”. Se ela de facto continua a ser conhecida como a cidade das acácias ou a pérola do Índico, ou tal como diz Hortêncio Langa “é beijo de flor, é doce de mel e feitiço de amôr”.
Será mesmo?

João de Sousa, Correio da manhã, 23/07/2014

Crise moçambicana referenciada na CPLP

 
Para retirar os moçambicanos do lodo em que foram metidos, consta que o Governo estará disposto a proclamar, oficial e publicamente, e aplicar uma amnistia ao líder da Renamo, Afonso Dhlakama, e seus seguidores, incluindo a retirada das acusações imputadas ao brigadeiro Jerónimo Malagueta (ora em liberdade condicional depois de nove meses de detenção na BO) e ao porta-voz do líder da “perdiz”, António Muchanga, detido na Cadeia de Máxima Segurança em Maputo, há sensivelmente três semanas, sob acusação de incitação à violência.
O chefe da diplomacia timorense, José Luís Guterres, entende que Moçambique é capaz de encontrar uma solução duradoura para a situação interna do país.
“Entendo que o Governo de Moçambique, pelas políticas já iniciadas, é capaz de encontrar uma solução duradoura, que já encontraram há muitos anos, para o que se está a passar em Moçambique”, disse em conferência de imprensa José Luís Guterres.
O ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste falava esta terça-feira em Díli no final da XIX reunião ordinária do Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
“Acompanhamos a situação de Moçambique. Aquilo que tenho lido é que há iniciativa a nível interno para se resolver a situação em que se encontra”, disse.
“O ministro de Moçambique presente na nossa reunião não elaborou sobre a situação interna do país e também não solicitou ajuda à CPLP para os problemas que enfrentam”, respondeu o chefe da diplomacia timorense, quando questionado pelos jornalistas se o assunto tinha sido debatido no encontro.
Há vários meses que se verificam em Moçambique confrontos entre forças governamentais e os ex-guerrilheiros da Renamo, o principal partido da oposição.

Lamparina ao fundo do túnel

“É uma questão apenas de tempo. Há uma vontade política já expressa pelo
candidato da oposição de participar nas eleições presidenciais, o que significa que o processo democrático está no bom caminho”, sublinhou.
O cenário de entendimento entre o Governo e a Renamo ganhou maior solidez nos últimos  dias, ambiente também evidenciado pelas declarações públicas dos líderes das duas delegações.
Analistas habilitados acreditam que entre os factores que em maior escala terão contribuído para esse cenário são considerados os seguintes:
a) A Renamo moderou as suas exigências no que toca ao estabelecimento de uma paridade artimética na direcção das Forças de Defesa e Segurança (FDS), contentando- se com a aplicação do princípio de “despartidarização” das mesmas – há quem entenda isto como uma repetição quase exacta de um alegado “erro” que Dhlakama cometeu durante as conversações de Roma que conduziram ao fim dos 16 anos de guerra civil em Moçambique (1976/1992).
b) O Governo estará, ainda, disposto a proclamar, oficial e publicamente, e aplicar uma amnistia ao líder da Renamo, Afonso Dhlakama, e seus seguidores, incluindo a retirada das acusações imputadas ao brigadeiro Jerónimo Malagueta (ora em liberdade condicional depois de nove meses de detenção) e ao porta-voz do líder da “perdiz”, António Muchanga,  detido na Cadeia de Máxima Segurança (vulgo BO) em Maputo, há sensivelmente três semanas, sob acusação de incitação à violência.
c) A fé dos mesmos observadores, o Executivo de Maputo estaria, ainda, disposto a reforçar a segurança de Afonso Dhlakama quando este descer das montanhas e retornar à actividade política plena, tendo como enfoque imediato a campanha eleitoral com vista às eleições presidenciais de 15 de Outubro próximo.


Consta estar a ser redigido um pacto formal a ser celebrado pelas duas partes, apesar de tanto os representantes do Governo como os da Renamo, na mesa negocial no Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano, declinarem confimar ou desmentir tal esforço.
Os mesmas analistas entendem que os sinais de aproximação dos pontos de vista das duas delegações são ainda consubstanciados pela interrupção efectiva dos confrontos entre as forças beligerantes do Governo e da Renamo nas últimas
três semanas, a “reacção contida” de Dhlakama face à detenção de Muchanga, a resolução do dossier Certidão de Registo Criminal do líder da “perdiz” (Cm N.º 4371, pág. 1), bem como a moderação da linguagem das duas partes, salvo raríssimas excepções, de intervenientes tidos como “descontrolados”.

Correio da manhã, 23/07/2014

As filhas dos “donos” de dois países


 Filha do presidente angolano confirma presença no casamento de Valentina Guebuza

Maputo (Canalmoz) – Isabel dos Santos – de quem se faz intensa propaganda ideológica como “bilionária” –, filha do presidente angolano, que está no poder há mais de 30 anos, estará em Maputo no próximo sábado, 26 de Julho para participar no casamento da sua homóloga Valentina Guebuza – de quem se faz intensa propaganda ideológica como “milionária” –, filha do presidente moçambicano.
A informação é divulgada pelo “site” de notícias angolano Club-K, que traça perfis idênticos das duas mulheres que nunca precisaram de trabalhar para serem “bilionária” e “milionária”, respectivamente, graças à forma como os pais usam o poder do Estado para acumularem riquezas pessoais e construirem impérios financeiros à custa de métodos típicos das ditaduras, usando o controlo que têm sobre o Estado.
Valentina Guebuza casa-se com Zófimo Muiane, director de Marketing da empresa pública de telefonia móvel, Mcel. No passado sábado teve lugar o casamento tradicional conhecido por lobolo.
Segundo a imprensa angolana, para além de Isabel Eduardo dos Santos, vêm também a Maputo Jacob Zuma, presidente da África do Sul, e Mswati III, rei da Swazilândia, que se juntarão a cerca de 3.000 outros convidados.
O Club-K trata Valentina Guebuza, como “A Isabel de Moçambique”, por dirigir vários negócios que têm como origem o poder ilimitado do seu pai.


Canalmoz

MARCO DO CORREIO, por Machado da Graça


 
Olá António
Como vai essa vida? Do meu lado está tudo bem, felizmente. Só que um bocado confuso. E explico- te porquê.
No último comício da presidência aberta na província de Maputo o Chefe de Estado falou sobre os problemas que o país atravessa atribuindo, como é hábito, as culpas todas à Renamo. E, mais concretamente, a Afonso Dhlakama.
De uma forma geral, Armando Guebuza defendeu a ideia de que não é possível obter resultados positivos quando se lida com uma pessoa que está sempre a mudar o seu discurso.
Que diz hoje uma coisa e amanhã faz outra. E, para ilustrar esta acusação, deu dois exemplos: Que Dhlakama tinha prometido inviabilizar as eleições autárquicas e depois não inviabilizou e que Dhlakama tinha ameaçado impedir o recenseamento eleitoral e depois não o fez.
Segundo a linha de pensamento do nosso Presidente, estas são formas negativas de actuar e torna-se muito difícil lidar com quem procede deste modo. E é isto que me deixa confuso.
Nos dois exemplos que foram apresentados houve ameaças de acções violentas para alterar a ordem pública e, depois, essas ameaças não se concretizaram.
O que, no meu ponto de vista, foi muito positivo. Mas, para Armando Guebuza, parece que foi negativo.
Será que ele preferia que Afonso Dhlakama não tivesse mudado de ideias e tivesse colocado o país a ferro e fogo para impedir as eleições e o recenseamento?
Custa-me a acreditar que sim, mas a escolha dos exemplos parece indicar nesse sentido.
Poderá acontecer que a estratégia do Executivo se baseava em que Dhlakama não mudaria de ideias e daria razão para acções militares que conduzissem ao desmantelamento da Renamo armada?
Quanto a mim foi bem melhor que as coisas tenham corrido como correram e a Renamo tenha mudado de ideias também a respeito da anterior ameaça de não participar nas próximas eleições. São mudanças de opinião, para mim, benvindas. Até alguém me explicar com clareza porque é que elas não permitem que o diálogo tenha sucesso.
E, já que te falo no diálogo, não sei se tens reparado que as rondas em que a delegação do Governo é dirigida pelo ministro Muthisse têm, normalmente, mais progressos do que quando é
dirigida pelo ministro Pacheco? Será questão de feitios ou de perspectivas diferentes perante as questões em debate?


Um abraço para ti do

Machado da Graça
Fonte: CORREIO DA MANHÃ – 22.07.2014, no Moçambique para todos

Frelimo continua a praticar terror contra a oposição


 Membros do MDM amarrados e torturados por hastearem bandeira do seu partido em Sussundenga


“Os membros permaneceram amarrados sob uma árvore, passando a noite e sem direito a alimentação”, acusa o delegado político provincial de Manica, Inácio Maicolo, em entrevista ao nosso jornal

Beira (Canalmoz) – A Frelimo continua a praticar terror contra os partidos da oposição em Moçambique e para isso utiliza ilegalmente a Polícia da República de Moçambique. A PRM em Manica deteve, no fim-de-semana, no posto administrativo de Gacanhemba, distrito de Sussundenga, cinco membros do Movimento Democrático de Moçambique, com a acusação de estarem a desenvolver “actividade política ilegalmente”. É a versão que a Polícia apresentou.
A detenção daqueles membros do MDM, que se seguiu à destruição do mastro e das suas respectivas bandeiras, ocorreu na sede deste partido político em Gacamhemba, quando eles preparavam se para mais um dia de actividade política.
A lista dos cinco membros incluiu o delegado distrital do MDM. Foram surpreendidos e presos por dois agentes da PRM fortemente armados, e de imediato foram conduzidos à esquadra. São acusados, segundo a Polícia, de “perturbar a ordem pública e de praticarem actividade política ilegalmente”.
A Polícia deitou a baixo dois mastros que estavam na sede e rasgou duas bandeiras do MDM. Um conjunto de panfletos e outro material foi apreendido e está na esquadra.
O delegado político provincial do MDM em Manica, Inácio Maicolo, acusa a PRM de ter agredido fisicamente os cinco membros do MDM, que, na sua opinião, foram presos ilegalmente.
Inácio Maicolo diz que os seus companheiros de partido foram transferidos para o comando distrital de Sussundenga, depois de no dia anterior terem permanecido acorrentados debaixo duma árvore, no recinto do posto policial, sem direito a alimentação nem cobertor.
“Dois agentes da PRM, acompanhados pelo chefe da Localidade, secretário da zona pelo partido Frelimo e membros da OMM, obrigaram à retirada da bandeira e dividiram em pedaços, quando estes nossos membros tentavam resistir à detenção e à destruição do seu material”, disse.


“Este caso não consta nos nossos relatórios”


Entretanto, contactado o comando provincial da PRM em Manica, na pessoa do seu porta-voz, Vasco Matusse, este disse que não consta nos relatórios da corporação o caso da detenção dos cinco membros do MDM no distrito de Sussundenga. “Nem mesmo o comandante distrital sabe nada disso, por isso não posso confirmar nada”, declarou.


Administradora “ouviu dizer”


O Canalmoz contactou a administradora do distrito, Mariazinha Niquice, para saber se tinha conhecimento do assunto. Mariazinha Niquice disse que o assunto foi comentado pelos seus colegas de trabalho, mas que não possuía dados suficientes para dar a entrevista sobre o caso.
“Também ouvi dizer aos meus colegas de trabalho sobre esta detenção, mas não estou muito bem informada, porque estava ausente do distrito, por isso não posso dar nenhuma entrevista, Depois vou retornar-lhe a chamada”, concluiu.


(José Jeco, Canalmoz)

Tuesday, 22 July 2014

Governo e Renamo anunciam acordo em 95% das negociações

O Governo e a Renamo, principal partido da oposição, anunciaram esta terça-feira, um entendimento em relação a 95% das matérias que são objecto de negociação para o fim da crise política e militar no país.
"Estamos em condições de dizer que todas as questões postas à mesa podem ser consideradas consensualizadas em cerca de 95%", disse, em conferência de imprensa, o chefe-adjunto da delegação do Governo, Gabriel Muthisse, no final da ronda negocial desta terça-feira, em Maputo.
"Do nosso ponto de vista, em relação a todas as questões relevantes e estruturais, parece haver um acordo entre o Governo e a Renamo há ainda uma ou outra questão de forma que tem de ser pensada", acrescentou Muthisse, que é também ministro dos Transportes e Comunicações de Moçambique.
Questionado sobre o conteúdo dos entendimentos alcançados nas negociações, o chefe-adjunto da delegação do Governo respondeu que as duas partes acordaram revelar a substância do acordo no final do processo de diálogo, adiantando que tal poderá acontecer na próxima sessão, agendada para segunda-feira.
"Vamos, na próxima semana, procurar, tanto quanto possível, fechar os aspectos pendentes. O passo seguinte seria colocar os peritos militares do Governo e da Renamo a trabalhar em questões específicas e de procedimento sobre a cessão dos ataques, a desobstrução total da estrada nacional número um e de outras vias em que a circulação de pessoas e bens tem sido impedida", assinalou Gabriel Muthisse.
Enfatizando que as duas últimas sessões de diálogo decorreram num espírito positivo e foram constructivas, Muthisse disse esperar que os progressos que têm sido registados nas últimas rondas resultem na restauração da estabilidade nas zonas de conflito, mesmo antes de um acordo formal.
O chefe-adjunto da delegação do Governo reiterou a disponibilidade de o chefe de Estado, Armando Guebuza, se encontrar com o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, considerando que a reunião poderia impulsionar o regresso definitivo da estabilidade ao país.
"O Presidente da República está na plena disponibilidade de, a qualquer momento, se encontrar com o líder da Renamo na capital do país e isso representar o processo de reinserção do líder da Renamo na política ativa", frisou Gabriel Muthisse.
Por seu turno, o chefe da delegação da Renamo, Saimone Macuiane, afirmou que 95% do "trabalho" já está feito, assinalando que as matérias em discussão poderão ser concluídas na próxima ronda.
"Hoje, tivemos a ronda número 65, houve avanços significativos, ainda não concluímos o trabalho, mas consideramos que 95% já está feito, queremos reiterar que a Renamo e o seu presidente, Afonso Dhlakama, continuam firmes no diálogo, colaboração e consulta em nome dos interesses superiores do povo", sublinhou Saimone Macuiane.
O chefe da delegação do principal partido da oposição disse esperar que as duas delegações produzam resultados definitivos para a crise política e militar em Moçambique na ronda da próxima segunda-feira.
"O povo moçambicano quer saber que se chegou a um meio-termo, para a paz e estabilidade, e as partes estão perto de concluir o seu trabalho", afirmou Saimone Macuiane.
Os avanços registados hoje e na sexta-feira da semana passada acabam com meses de impasse nas negociações sobre a crise política e militar no país, provocado por divergências em torno do desarmamento dos homens da Renamo, que têm estado envolvido em confrontos com o exército, no centro do país, e aos quais o Governo imputa responsabilidades por ataques a alvos civis na região.
 
 
 

 

Registo criminal de Dhlakama é autêntico

Garante quadro superior dos Registos e Notariado
 
A certidão do registo criminal apresentada na manhã de ontem no Conselho Constitucional (CC), pelo mandatário da Renamo, André Magibire, é autêntica, segundo assegurou, ao mediaFAX, na tarde de ontem, um quadro superior da Direcção Nacional de Registo Criminal.
A fonte garantiu ainda que a Direcção Nacional de Registo Criminail não precisou recorrer a um procedimento de conveniência política para assegurar o registo criminal de Afonso Dhlakama, pois tudo correu normalente e de acordo com a lei.
Aliás, o mandatário da Renamo já também tinha jurado diante de jornalistas que a certidão era completamente autêntica. Entretanto, Magibire não aceitou detalhar os contornos do registo tendo especial atenção ao facto de o líder da Renamo estar refugiado nas matas da Gorongosa.
A fonte dos registos e notariado prometeu abordar, com o mediaFAX, os
detalhes do procedimento que conduziu à actualização do registo criminal de Dhlakama ainda esta terça-feira.

MediaFax

O egoísmo das elites



Pode ser que, com a idade, as pessoas percam alguma faculdade de perceber as coisas, as atitudes, os processos.
E se calhar é isso mesmo o que está a acontecer comigo. Por exemplo, em relação à Educação no nosso país. Pois, sou do tempo em que perder um dia de aulas era um problema, e uma semana uma autêntica tragédia. Hoje, e se calhar por causa da tal perda de discernimento associada à idade, não dei conta que os coeficientes de inteligência dos moçambicanos evoluíram significativamente.
Ligo a televisão, leio os jornais, viajo pelo país, e algo me parece menos correcto quando vejo adolescentes e jovens mais ocupados com actividades políticas do que, propriamente, com aquilo que de mais importante deveriam estar a fazer: estudar, estudar, estudar!
O que digo e acho estranho nem sequer se pode dizer que o faça por mera especulação. Está à vista e ouvidos de toda a sociedade moçambicana.
Adolescentes e jovens ou se apinham nos aeroportos para receber esta ou aquela entidade, ou animam e dão cor aos comícios, quando não se entulham nos hotéis para participarem de seminários ou conferências disto ou daquilo, imitando os adultos.
E eu não deixo de pensar e de perguntar-me, sem deixar, porém, de recear o teor das respostas: que propósito se esconde por detrás desta alienação, deste desviar dos adolescentes e da juventude da aprendizagem?
E não é sem fundamento que faço esta pergunta. Na verdade, os adolescentes e jovens desviados da sua tarefa fundamental não são filhos das elites, políticas ou económicas. Os filhos destas estão nos colégios ou no estrangeiro, onde em nenhuma circunstância são desviados para servirem expedientes políticos.
É a estes, pois, que se lhes reserva o futuro, e não àqueles. Ora, isso é inaceitável.
 
Luís Loforte, Correio da manhã, 21/07/2014

Harmonização dos termos de referência para a observação internacional



O Conselho de Ministros reuniu-se excepcionalmente segunda-feira, por que o chefe do governo, o Presidente Armando Guebuza saiu em missão de serviço para Timor Leste onde vai participar na Cimeira da CPLP.
Fonte próxima do processo, apesar de não ter detalhado a “saída” que se está sendo cozinhada para se ultrapassar o impasse, mostrou expectativa positiva em relação ao alcance de entendimento nos próximos dias, caso a harmonização e os detalhes dos termos de referência falhem hoje. É interesse das duas partes, particularmente da Renamo, encontrar caminhos para se ultrapassar o actual impasse, visto que há necessidade de o presidente desta formação partidária, Afonso Dhlakama, sair da mata e iniciar a sua pré campanha eleitoral.

MediaFax

Filipe Nyussi procura mais do que experiência eleitoral com o MPLA, diz analista

O candidato moçambicano da FRELIMO às presidenciais foi a Angola colher a experiência eleitoral e governativa do MPLA. Mas para o historiador moçambicano Egídio Vaz o principal motivo da viagem do candidato não é esse.
Filipe Nyussi (esq.) e Armando Guebuza, Presidente de Moçambique
Falando à imprensa angolana, quando desembarcou em Luanda na última quarta-feira(16.06), Filipe Nyussi explicou que foi lá por considerar que o MPLA, partido no poder em Angola, é uma agremiação com bastante experiência política e em matéria de eleições.
O candidato da FRELIMO, o partido no poder em Moçambique, diz que também foi apresentar o ponto de situação sobre as linhas de orientação do seu projeto eleitoral.
O historiador moçambicano Egídio Vaz desvaloriza este discurso fundamentando que não passa de praxe do Governo da FRELIMO.
Mas Vaz recorda as afinadades entre os dois partidos (MPLA e FRELIMO): "São todos eles partidos que partilham a mesma trajetoria histórica, são partidos libertadores, ou são partidos cujos dirigentes participaram no processo de libertação, e portanto têm um passado comum."
Mas Egídio Vaz acrescenta que "também são partidos que têm a mesma orientação político-ideológica e partilham a mesma língua."
Campanha eleitoral do MPLA em 2012. Na imagem a bandeira do partido (dir.)
Os reais motivos?
O historiador moçambicano lembra também que desde o início do primeiro mandato de Armando Guebuza como Presidente de Moçambique, em 2005, as relações com o MPLA ganharam outro impulso.
Para ele o candidato da FRELIMO às eleições presidenciais de 15 de outubro próximo está a marcar terreno junto de um partido "irmão" que está no poder, sob o ponto de vista de relações exteriores.
Mas no entender de Egídio Vaz o real motivo está assente na gestão dos recursos minerais e energéticos.
O historiador lembra que "Moçambique vai ser uma país basicamente extrativo" e explica: "Ou seja, com a descoberta de recursos minerais e energéticos vai exigir que de uma ou de outra maneira esses países também se abalizem sobre como fazer negócio com os investidores."
E para Egídio Vaz "Angola desse ponto de vista é eximio justamente por causa da experiência de exploração de recursos minerais e energéticos que tem e obviamente os processos eleitorais."
Para ele as eleições não são o principal motivo da visita: "Eu não chamaria os processos eleitorais como estratégia política e ideológica, e muito menos de planificação, mas sim sobre a gestão do poder enquanto tal."
Egídio Vaz, historiador moçambicano e especialista em media
Angola, um mau exemplo?

Se Angola tem experiência positiva na indústria extrativa, que pode servir de exemplo a Moçambique, o mesmo não se pode dizer em termos de democracia, liberdade de expressão e boa governação.
O país é avaliado negativamente por ONGs locais e estrangeiras. Por exemplo, as manifestações contra o Governo são sempre reprimidas com violência e os activistas são detidos e até mortos.
O analista político do Instituto de Estudos Moçambicanos e Internacionais Henriques Viola vê com alguma preocupação a busca da experiência: "Penso que esta ação de Filipe Nyussi é apenas a continuação daquilo que viemos alertando ao nível da sociedade civil moçambicana, que é uma tentativa de angolanizar Moçambique, portanto, seguir o modelo angolano no que respeita as questões de controlo do poder económico, político e por ai fora."
Henriques Viola, politólogo do Centro de Estudos Moçambicanos e Internacionais
Por enquanto um assunto entre a FRELIMO e o MPLA
Henriques viola estabelece uma comparação a título de exemplo: "Repare que tal como em Angoola a filha do Presidente é a mulher mais rica do país, e também de África, aqui também em Moçambique a filha do Presidente é das mulheres mais ricas do país."
O politólogo está certo de que "ir buscar esta experiência, quanto a nós, é compeltamente negativa que não gostariamos de ver repetida em Moçambique."
Ao mesmo tempo Henriques Viola desdramatiza a crescente união entre os partidos, principalmente no que se refere a visita de Filipe Nyussi por considerar que diz principalmente respeito à FRELIMO e ao MPLA em tanto que partidos.
O politólogo diz que "esse é um assunto que, em princípio, deveria preocupar apenas os membros do partido FRELIMO porque Filipe Nyussi não representa, do ponto d evista legal, nada para os moçambicanos, como um Estado, ele é candidato de um certo partido, pode vencer ou não as eleições."



DW

Membros do MDM amarrados e torturados por hastearem bandeira do seu partido em Sussundenga

Frelimo continua a praticar terror contra a oposição


“Os membros permaneceram amarrados sob uma árvore, passando a noite e sem direito a alimentação”, acusa o delegado político provincial de Manica, Inácio Maicolo, em entrevista ao nosso jornal

Beira (Canalmoz) – A Frelimo continua a praticar... terror contra os partidos da oposição em Moçambique e para isso utiliza ilegalmente a Polícia da República de Moçambique. A PRM em Manica deteve, no fim-de-semana, no posto administrativo de Gacanhemba, distrito de Sussundenga, cinco membros do Movimento Democrático de Moçambique, com a acusação de estarem a desenvolver “actividade política ilegalmente”. É a versão que a Polícia apresentou.
A detenção daqueles membros do MDM, que se seguiu à destruição do mastro e das suas respectivas bandeiras, ocorreu na sede deste partido político em Gacamhemba, quando eles preparavam se para mais um dia de actividade política.
A lista dos cinco membros incluiu o delegado distrital do MDM. Foram surpreendidos e presos por dois agentes da PRM fortemente armados, e de imediato foram conduzidos à esquadra. São acusados, segundo a Polícia, de “perturbar a ordem pública e de praticarem actividade política ilegalmente”.
A Polícia deitou a baixo dois mastros que estavam na sede e rasgou duas bandeiras do MDM. Um conjunto de panfletos e outro material foi apreendido e está na esquadra.
O delegado político provincial do MDM em Manica, Inácio Maicolo, acusa a PRM de ter agredido fisicamente os cinco membros do MDM, que, na sua opinião, foram presos ilegalmente.
Inácio Maicolo diz que os seus companheiros de partido foram transferidos para o comando distrital de Sussundenga, depois de no dia anterior terem permanecido acorrentados debaixo duma árvore, no recinto do posto policial, sem direito a alimentação nem cobertor.
“Dois agentes da PRM, acompanhados pelo chefe da Localidade, secretário da zona pelo partido Frelimo e membros da OMM, obrigaram à retirada da bandeira e dividiram em pedaços, quando estes nossos membros tentavam resistir à detenção e à destruição do seu material”, disse.


“Este caso não consta nos nossos relatórios”


Entretanto, contactado o comando provincial da PRM em Manica, na pessoa do seu porta-voz, Vasco Matusse, este disse que não consta nos relatórios da corporação o caso da detenção dos cinco membros do MDM no distrito de Sussundenga. “Nem mesmo o comandante distrital sabe nada disso, por isso não posso confirmar nada”, declarou.


Administradora “ouviu dizer”


O Canalmoz contactou a administradora do distrito, Mariazinha Niquice, para saber se tinha conhecimento do assunto. Mariazinha Niquice disse que o assunto foi comentado pelos seus colegas de trabalho, mas que não possuía dados suficientes para dar a entrevista sobre o caso.
“Também ouvi dizer aos meus colegas de trabalho sobre esta detenção, mas não estou muito bem informada, porque estava ausente do distrito, por isso não posso dar nenhuma entrevista, Depois vou retornar-lhe a chamada”, concluiu.



(José Jeco, Canalmoz)

CASO SEJA REQUALIFICADA: População da baixa vai quadruplicar
















A BAIXA da cidade de Maputo passará dos actuais 12 mil para 64 mil habitantes dentro dos próximos 11 anos, caso se avance com o ambicioso projecto de requalificação da zona.
Denominado “Plano Parcial de Urbanização para o Desenvolvimento e Requalificação da baixa”, a iniciativa prevê a transformação desta parte da capital em zona multifuncional, na qual se congregue as componentes habitacionais, comercial, serviços, entretenimento e outros, mantendo-a activa 24 horas.
Dados recentemente divulgados na segunda e última sessão de auscultação pública realizada no Paços do Município de Maputo, indicam que as mudanças previstas vão ainda incrementar a capacidade de espaços para trabalho.
A perspectiva é que esta parte da cidade possa acolher nas horas de expediente, 100 mil trabalhadores, muito acima do cenário actual.
Com a requalificação, 15 mil novas unidades habitacionais deverão nascer nas três zonas da baixa, concretamente no centro, na parte Este, que cobre as zonas da antiga FACIM e barreiras da Maxaquene, e no Oeste, lados dos CFM e da ponte para KaTembe.   
A nova baixa deverá privilegiar o que há de melhor na cidade, com destaque para a vista ao mar, património histórico-cultural e comércio. Nesse sentido, por exemplo, as futuras construções nas barreiras terão que ter uma altura que permita contemplar o mar a partir do Jardim dos Professores, no Museu.
Aliás, deseja-se ainda uma ligação entre a parte baixa e alta da urbe a partir da costa, para sanar os actuais constrangimentos quando se pretende ligar aqueles dois pontos.
No novo desenho, a avenida Samora Machel ficaria exclusivamente para passeios a pé da Praça da Independência à baia, espaço que deverá servir para actividades de venda de brindes, incluindo obras de artesanato.
O “draft” do projecto desenhado por um consórcio de consultores, num grupo de que faz parte o arquitecto João Tique, prevê que a área verde da baixa, que actualmente cobre quatro por cento da extensão total, passe para 15.
As alterações das infra-estruturas deverão respeitar os 314 bens patrimoniais de diferentes valores, desde o universal, como a Estação Central dos CFM, aos de significado local.
A mobilidade rodoviária, uma das actuais dores de cabeça da zona baixa da cidade, vai ser resolvida com a harmonização dos sistemas propostos como as vias dedicadas a autocarros (BRT), metro, táxi e txopelas.
 

NOTÍCIAS

Monday, 21 July 2014

Dhlakama já tem registo criminal

 A Renamo vai proceder na manhã desta segunda-feira a entrega do Registo Criminal de Afonso Dhlakama ao Conselho Constitucional (CC), um dos documentos exigidos para os candidatos a presidência da República, no acto deposição naquele organismo.
De acordo com uma fonte da Renamo, a entrega deste documento está marcado para as 11 horas e que completa, desta forma, todos os requisitos para que a candidatura de Dhlakama pela Renamo não seja chumbada pelo CC.
Uma vez nas matas de Gorongosa, não se sabe ao certo como a Renamo conseguiu junto as instituições do ministério da Justiça obter aquele documento.
A entrega do Registo Criminal acontece numa altura em que regista-se avanços significativos no diálogo político, que habitualmente acontece nas segudas-feira, mas por questões da sobreposição de agenda do Governo foi remarcado para amanhã, terça-feira.
Recorde-se que hoje é o último dia da entrega das candidaturas para as presidências no Conselho Constitucional.



Folha de Maputo

Política já não deveria ser beligerância mortífera nem verbal



 Assassinos de carácter pouco diferem dos assassinos políticos

Beira (Canalmoz) – Contenção, razoabilidade, moçambicanidade são ingredientes de hoje, são de facto os ingredientes que deveriam estar todos os dias na mesa de diálogo no Centro de Conferências “Joaquim Chissano”.
A imprensa, num momento crítico como este, não deveria estar “regando a fogueira com gasolina”, escondendo a verdade e propagando o ódio entre concidadãos, seja em defesa do que seja.
O país não precisa de exibição de suposta pureza ideológica, ou de procedimentos, de quem quer que seja.
Em momentos de crise é que se descobrem os líderes pela sua visão estratégica e cometimento com a causa nacional.
Também é nos momentos de crise aguda que se descobre quem é o “ministro de informação do regime de Bagdad”… Gritar aos quatro ventos que está tudo bem pode ser catastrófico e de consequências irreversíveis, como se tem visto ao logo da história humana.
O prolongamento duma crise e o seu desfecho muitas vezes dependem do tipo e da idoneidade dos conselheiros dos líderes.
Quando se retira o peso e significado de fazedores de opinião veteranos das partes em conflito, perde-se um determinado capital de experiência, insubstituível, no que se refere à importância e qualidade das opiniões emitidas.
Refrescar conselheiros ou membros de proa dum partido não pode ser feito ao sabor dos interesses privados do líder, pois muitas vezes esses podem não coincidir com os verdadeiros interesses da organização que ele dirige. Quando alguém defende e define que sua agenda precisa de espaço vital também deve ter em conta que o horizonte dos seus interesses não pode subestimar a agenda colectiva.
A pressão e o “forcing” que manifestamente se fazem para continuar a ignorar que temos um conflito político-militar com bases sólidas é como as avestruzes fazem face ao perigo eminente.
Armar e financiar batalhões de escribas convenientes e subservientes, como parece estar acontecendo, é uma via barata, mas com resultados dispendiosos para o país. Optar pela aquisição de meios de informação e por reviravoltas editoriais são como fermento e fertilizante para a asfixia da liberdade de expressão e da democracia.
Olhando um pouco para o passado, veremos que os proponentes da via da acomodação material e financeira da oposição de hoje são os mesmos que esconderam a verdade eleitoral ao povo e ao mundo.
Se a máquina eleitoral está inquinada e manietada, se as forças de segurança não actuam de forma constitucional, protegendo a soberania as liberdades democráticas, obedecendo a um comando legal credível, acabamos desenvolvendo suspeitas de favorecimento e a emergência de situações de conflito de interesses.
O paradigma da governação no país tem de ser reabilitado, aproximando governados dos governantes e promovendo uma cultura de Estado que falta em todos os escalões.
Quando se deixa que prolifere um discurso que se consubstancia em assassinato de carácter nos meios da comunicação social pública, fica patente que existem interesses obscuros comandando a acção político-governamental.
“Quem não deve, não teme” diz o ditado, e quando a opção é encobrir e defender posições adquiridas de modo dúbio e ilícito, arvorar-se duma superioridade de todo não comprovada, estamos em terrenos movediços e inconsistentes.
Há um “deficit” enorme de cidadania e de cultura política que só serão confrontados com êxito se da parte dos partidos políticos houver vontade de crescer e melhorar.
A proliferação da mediocridade tanto académica como política tem consequências no diálogo nacional. Uma nação é um corpo vivo em permanente diálogo entre os seus integrantes.
É inútil e nefasto que apareça alguém pretendendo-se superior aos demais em virtude de cargos exercidos ou de história de participação na luta independentista ou pela democracia.
É por demais perigoso que as pessoas se calem, mesmo quando observam e concluem que o “barco”, nação, está sendo dirigido para penhascos ou para um banco de areia.
Pode não parecer, mas foi a pobre opção de transformar a governação numa máquina de promoção e distribuição de favores que trouxe a crise como hoje conhecemos.
Gente que conhecia a verdade se coibiu de trazê-la para o domínio público, e nesse processo houve participação plena de chancelarias internacionais e da ONU, que queriam a todo o custo ver um cessar-fogo nas hostilidades da guerra civil passada. Também outro tipo de conjecturas pode ter sido feito e ter determinado decisões que afectam o nosso presente e o futuro próximo.
Não nos enganemos quanto ao brilho e exuberância que dão ao facto de o país estar a descobrir recursos minerais de grande valor comercial e estratégico. Na verdade e para dizer a verdade, tais recursos já há muito eram conhecidos tanto na sua magnitude como na sua natureza. As petrolíferas do Texas há muito sabem e rastrearam as bacias de hidrocarbonetos de Moçambique. Convêm que ninguém se engane ou consuma mentiras. Se amanhã aparecer alguém a anunciar a descoberta de urânio no país, convém que se saiba que os portugueses, já na década de 1950, sabiam onde se encontravam jazidas desse mineral estratégico.
Quem acendeu a fogueira de hoje foi quem quis considerar que só um determinado grupo muito restrito de pessoas tinha direitos políticos e económicos.
A fineza e o apuro discursivo não significam superioridade nem conferem direitos especiais.
Só com humildade e honestidade entre os interlocutores, participando sem artimanhas no processo negocial encetado, se poderá enterrar as causas da guerra e partir-se para um novo começo.
Isso exige coragem e persistência que não coadunam com ofensivas de assassinato político nem de carácter.
Baixem as armas e escondam as baionetas. Emitam sinais concretos dum alinhamento com a causa da PAZ e retirem do vosso pacote de instruções a violação dos direitos políticos e humanos dos vossos compatriotas.
Os escribas que se tornam fiéis seguidores e propagandistas duma linha que afasta os moçambicanos da concórdia são como charlatães ou curandeiros que, depois de descoberta a sua incapacidade de curar algo, são enxotados da aldeia como moscas.
Sejam dignos de vós próprios enquanto pessoas, enquanto moçambicanos, enquanto líderes.
Tenhais em mente que a acumulação privada, até criminosa, do que é comum não constrói muralhas de protecção nem de impunidade.
Queremos este Moçambique em PAZ e isso é vossa responsabilidade inalienável.



(Noé Nhantumbo, Canalmoz)

Sunday, 20 July 2014

Xiconhocas da semana: Maning Nice; PGR e detenção e audição de António Muchanga; Armando Guebuza



Os nossos leitores elegeram o seguinte xiconhoca na semana finda: PGR e detenção e audição de António Muchanga
Pela segunda semana consecutiva, a detenção do membro do Conselho de Estado e porta-voz do líder da Renamo, António Muchanga, recebeu bastantes votos para a categoria de xico e mensagem indecentes que não publicamos por respeitar o bom nome das famílias dos visados. À Procuradoria-Geral da República (PGR) e a todos aqueles que orquestraram a prisão de Muchanga e anu...íram para que ele fosse convidado a participar no Conselho de Estado com o intuito de detê-lo, os nossos leitores não só chamam de xicos, como também pediram, veementemente, para que lhes fizéssemos chegar a mensagem de que tal facto foi uma prova de que as instituições da Justiça falam publicamente de acesso a este direito incondicional mas em surdina agem como ratazanas que fazem o seu trabalho em silêncio e no escuro. Para os nossos leitores, não há dúvidas de que a prisão e a audição daquele político se tarata de uma provocação ao célebre “pai da democracia” e aos prosélitos do seu partido. E a atribuição da categoria serve para demonstrar que eles (os leitores) não se curvam diante de arbitrariedades e jogo político sujo protagonizados por gente que governa o país com “mão de ferro”.


A Verdade, leia aqui!

Cartoon


Saturday, 19 July 2014

Protecção costeira pronta em Outubro

Protecção costeira na sua ponta final

AS obras da reconstrução da barreira que protege a costa da cidade de Maputo serão entregues até Outubro próximo, cinco meses após a data inicialmente prevista.
Neste momento está-se na fase da finalização dos trabalhos junto à entrada da zona dos Pescadores, último troço dos cerca de 13 quilómetros que compõem a empreitada, iniciada na ponte-cais para Catembe.
O presidente do Conselho Municipal de Maputo, David Simango, que esta quarta-feira visitou a zona para se inteirar do progresso dos trabalhos, disse que os trabalhos estão num bom ritmo e que está-se já próximo da meta.
Em curso desde Setembro de 2012, a reabilitação da orla marítima da capital, cuja degradação já permitia que em momentos de maré-alta a água galgasse a estrada, decorre em paralelo com as obras da Estrada Circular de Maputo, o que constitui constrangimento para os empreiteiros das duas obras.
 A chuva que se abateu fortemente sobre a capital no início do ano passado e do corrente impôs alterações ao cronograma do construtor, o consórcio luso-angolano MCA Group JV/RME.
Tendo em conta que actualmente as máquinas movimentam-se com maior intensidade na zona dos Pescadores, o que já inquieta os que vivem da pesca, Simango tranquiliza-os explicando que o empreiteiro não se fará ao mar e nem perturbará o decurso da actividade.
Além do paredão de protecção e dos sete esporões ou quebra-mar de até 200 metros de cumprimento, a obra, financiada pelo Fundo Saudita de Desenvolvimento, Banco Árabe para o Desenvolvimento Económico em África (BADEA) e o Estado, prevê a introdução de pedregulhos e solos entre a barreira e o mar, aumentando-se, desta forma, a extensão da praia.
O projecto contempla ainda o reforço do revestimento com mangais a partir do quilómetro dez, na zona do Restaurante Costa do Sol, até à zona dos Pescadores.
Parte dos solos a serem depositados entre a barreira e a água resultará da dragagem do canal de acesso ao Porto de Maputo, já em curso, que serão posteriormente transportados por barcos e/ou bombeados para a área. O volume de solos a ser movimentado do canal é estimado em um milhão de metros cúbicos, de acordo com dados apresentados pelo Conselho Municipal.
De salientar que a reposição e modernização da barreira de protecção costeira, avaliada em cerca de 22 milhões de dólares norte-americanos, já foi apontada como “uma das mais importantes obras estruturais do município”, visto que o estado actual de destruição ameaça empreendimentos existentes ao longo daquela zona nobre da cidade.
Ainda ontem o presidente Simango visitou as obras de reabilitação da Avenida do Trabalho e da modernização do Jardim Tunduro, ambas a bom ritmo.

Purificar as LAM

Após a demissão de Carlos Jeque do cargo de Presidente do Conselho de Administração (PCA) das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), num momento em que certas correntes de opinião defendiam a exoneracão, também, de Marlene Manave, na altura administradora delegada daquela firma do Estado, não podia haver dúvidas de que mais mexidas seriam feitas no xadrez. Era e é preciso purificar a casa com vista a assegurar que os constantes problemas relacionados com os atrasos de voos, falhas no sistema de segurança e dificuldades em articular com a Imprensa relativamente às queixas dos clientes fiquem para a história.
Num recipiente em que há um peixe fétido, é fácil chegar-se à conclusão de que todo ele está putrefacto e, por isso, a medida, sensata, é deitar fora todo o produto e garantir que o ambiente não seja repelente. As LAM precisam de um tratamento igual. Carlos Jeque e Marlene Manave não puderam sair daquela empresa pela porta frontal devido aos motivos sobejamente conhecidos. Os clientes estão agastados por causa do sofrimento a que foram submetidos com o dinheiro deles, facto que resulta, em parte, de uma gestão ineficaz da famosa "companhia de bandeira". Mas, pior do que isso, é que viajar de avião chegou a ser tão arrepiante como se fosse ir a bordo de um meio circulante terrestre.
É necessário que se experimente uma nova gestão nas LAM e seja feita por gente que não lide com os aviões como se estivesse a ensaiar a perfeição de determinados brinquedos. Precisa-se de gente sensibilizada com a causa dos clientes e que perceba que a satisfação e o respeito são factores-chaves para o sucesso de qualquer empresa. Os clientes querem ser levados a sério, ouvidos quando se queixam e verem os problemas de que reclamam resolvidos. Entretanto, temos uma firma gerida por gente que parece ignorar os preceitos que regem o funcionamento das instituições públicas que, a todo o custo, resvalam em acções que deixam os seus clientes com os nervos à flor da pele.
Há falta de profissionalismo e desleixo à mistura e é assim como são geridos determinados sectores do Estado com o cúmulo de que as pessoas que deviam repor a ordem em caso de caos acham tudo normal. O argumento de que as LAM são uma companhia segura apenas farão sentido quando não formos novamente confrontados com problemas técnicos, sistemáticos, que culminam com atrasos de voos e aterragem de emergência de certos aviões. O afastamento de Carlos Jeque e de Marlene Manave da administracão activa daquela firma deve ser um sinal de mudança e, acima de tudo, de que não teremos mais passageiros abandonados nos aeroportos devido ao atraso de voos.
Pessoas entendidas na matéria advogam que é altura de o Executivo admitir que outras companhias operem no espaço aéreo moçambicano de modo a salvaguardar-se o respeito pelos clientes, criar-se competitividade no sector e baixar-se as tarifas que tendem a ser exorbitantes. Umas LAM nas actuais condições é um estorvo ao progresso da aviação civil e do país. E porque ninguém dá ouvidos a ninguém, neste país, e as coisas acontecem quando elas devem acontecer, estejamos preparados para lidar com clientes insatisfeitos, enquanto esperamos para ver em que é que isso vai dar! É preciso purificar as LAM.



Editorial, A Verdade