Friday, 19 September 2014

Mamparra of the week: Organização G40


Meninas e Meninos, Senhoras e Senhores, Avôs e Avós
Os mamparras são os membros da famigerada organização denominada G40, cujos afoitos e destacados membros, em descabidas defesas, não querem que o canditado da Frelimo, Filipe Nyussi, participe num eventual debate público e televisionado com os seus adversários às eleições do próximo dia 15 de Outubro.
O repto para o debate foi lançado por Afonso Dhlkama, líder da Renamo, dias depois da sua aparição pública, oriundo de ‘parte incerta’, e Daviz Simango, seu ex-correligionário e adversário nesta eleição aceitou.
Nyussi ainda não se pronunciou, mas em diversos fóruns activos membros do G40, têm-se manifestado contra esta ideia, deixando transparecer que aquele candidato está a ser carregado ao colo, assim como se fazem com bebés recém-nascidos. Os membros do G40, na vanguarda da defesa, ainda não se aperceberam de que é perigosa para a nação a criação de uma percepção, segundo a qual Filipe Nyusi está a ser carregado ao colo.
Os G40, caso sejam o obstáculo a transpor, devem ‘libertar’ Filipe Jacinto Nyusi, pois este não é nenhuma criança. É maior de cinquenta, e deve ir ao debate com os seus adversários, para que o eleitorado conheça, pelas suas próprias palavras, as ideias que tem para o projecto colectivo de Moçambique.
Os G40, querendo, poderão continuar a exaltar o “líder incontestável de todos nós”, enaltecendo as obras e feitos e, com a amnésia que lhes é peculiar, omitir as “boladas” do “louvado” em nome da “unidade nacional”. O G40 devem tirar Nyusi do colo e deixaram-no andar pelos seus próprios pés.
Que medo é este do G40 de deixar que Nyusi vá a debate público? Todo o mundo sabe e está careca de saber que os G40 são assumidos partidários de Nyusi, mas continua desconhecido o paradeiro do mandato que lhes confere o direito de desencorajar o homem de se expressar, em debate, para aqueles a quem almeja governar.
Será que os G40, com esta defesa injustificável, estão a chamar-nos parvos, patos, tansos e estúpidos e não estamos a decifrar a linguagem deles?
Nunca nos tínhamos debruçado, aqui neste espaço, sobre esta organização, cuja premiação tem sido visível com nomeações em várias esferas da coisa pública e privada, controlada pelo desempenho na defesa do indefensavél.
Aliás, os nossos leitores já os elegeram para o pódio dos xiconhocas, devido às suas ‘performances’ que agora vão ao ponto de carregar Filipe Nyusi ao colo!
Alguém tem que pôr um travão a este tipo de mamparrices.
Mamparras, mamparras, mamparras.
Até para a semana, juizinho e bom fim-de-semana!

Algumas notas
Este país recorda-se de Nyusi quando dirigiu as operações de ataque a Sathunjira na qualidade de Ministro da Defesa. Para além disso, conhecemo-lo como dirigente desportivo e administrador ferroviário. Ao querer ser presidente sem prova oral, Nyusi faz apologia ao bypass!
Paremos com este bypass!



A Verdade

Capa do Savana de hoje


Estão a aumentar casos de violência, segundo o Presidente da CNE, Abdul Carimo

Casos de violência e má conduta eleitoral estão a aumentar um pouco por todo o país, alertou Abdul Carimo, o presidente da CNE, em sua exortação proferida hoje. Ele confirmou que a prática de ilícitos eleitorais tem resultado em detenções.
O Presidente da CNE, apelou aos membros dos partidos para que "abandonem o recurso à violência, e pautem pelo civismo nos dias que nos restam da campanha eleitoral".
E, em um sinal de alerta, claramente dirigido a Frelimo, mais também ao MDM no centro e norte do pais, ele ressaltou que a lei eleitoral proibiu o uso de recursos estatais e municipais. Também proibiu a realização de campanha em unidades militares, locais normais de culto, edifícios públicos durante o dia de trabalho normal, e nas escolas durante o período de aulas.




Boletim sobre o processo político em Moçambique

Nyusi continua a fugir do frente-a-frente com Dhlakama e Daviz Simango

Cresce interesse popular pela realização do debate eleitoral


A ala radical do partido Frelimo quer que Nyusi não vá ao debate, com medo que seja responsabilizado pelo insucesso da governação da Frelimo nos últimos 10 anos


 O candidato da Frelimo às eleições presidenciais, Filipe Nyusi, continua a arranjar justificativas infundadas para fugir ao debate eleitoral com os seus adversários nomeadamente, Afonso Dhlakama, da Renamo, e Daviz Simango, do MDM.
Mais do que fugir, Nyusi diz que o debate é “suspeito”, sem no entanto esclarecer se está disponível para uma disputa televisiva a três, conforme o desejo dos seus dois adversários.
Em entrevista ao “Canalmoz” na passada terça-feira, Nyusi disse que tudo dependia do seu gabinete eleitoral. Mas na quarta-feira disse ao “Mediafax” que o debate pode ser “suspeito”. “Aquelas pessoas que acham que precisam ouvir o meu pensamento já me chamaram. Se me chamarem por outra ratoeira, cascas de bananas eu não vou entrar”, declarou Filipe Nyusi ao “Mediafax”.
“Se me chamam à universidade para um debate, vou, não há nenhum problema”, afirmou Nyusi. “Alguém aqui ouviu dizer que o candidato da Frelimo não aceita debate?”, questionou.
Mas o facto é que o Parlamento Juvenil de Moçambique convidou os três candidatos presidenciais às eleições de Outubro para participar num debate televisivo, e já recebeu confirmações da Renamo e do MDM, segundo informa o presidente da organização. Toda a logística está preparada, incluindo o auditório em que o debate se irá realizar, conforme garantiu ao “Canalmoz”, Salomão Muchanga, líder do Parlamento Juvenil.
O Parlamento Juvenil defende que o debate é uma emergência democrática, para que os manifestos sejam publicamente apresentados e questionados pelos cidadãos devidamente organizados. O Parlamento Juvenil, assim como a maioria dos cidadãos, defende que a democracia moçambicana já tem idade suficiente para que haja um debate presidencial televisivo. Nyusi é o único candidato que anda fugitivo. Mas a opinião pública também defende que, mesmo na ausência de Nyusi, o debate deve acontecer, e o desejo de milhares de moçambicanos de ver a democracia a fortificar-se não pode ficar refém de Filipe Nyusi.
Photo: Cresce interesse popular pela realização do debate eleitoral
Nyusi continua a fugir do frente-a-frente com Dhlakama e Daviz Simango (#canalmoz)

A ala radical do partido Frelimo quer que Nyusi não vá ao debate, com medo que seja responsabilizado pelo insucesso da governação da Frelimo nos últimos 10 anos

Maputo (Canalmoz) – O candidato da Frelimo às eleições presidenciais, Filipe Nyusi, continua a arranjar justificativas infundadas para fugir ao debate eleitoral com os seus adversários nomeadamente, Afonso Dhlakama, da Renamo, e Daviz Simango, do MDM.
Mais do que fugir, Nyusi diz que o debate é “suspeito”, sem no entanto esclarecer se está disponível para uma disputa televisiva a três, conforme o desejo dos seus dois adversários.
Em entrevista ao “Canalmoz” na passada terça-feira, Nyusi disse que tudo dependia do seu gabinete eleitoral. Mas na quarta-feira disse ao “Mediafax” que o debate pode ser “suspeito”. “Aquelas pessoas que acham que precisam ouvir o meu pensamento já me chamaram. Se me chamarem por outra ratoeira, cascas de bananas eu não vou entrar”, declarou Filipe Nyusi ao “Mediafax”.
“Se me chamam à universidade para um debate, vou, não há nenhum problema”, afirmou Nyusi. “Alguém aqui ouviu dizer que o candidato da Frelimo não aceita debate?”, questionou.
Mas o facto é que o Parlamento Juvenil de Moçambique convidou os três candidatos presidenciais às eleições de Outubro para participar num debate televisivo, e já recebeu confirmações da Renamo e do MDM, segundo informa o presidente da organização. Toda a logística está preparada, incluindo o auditório em que o debate se irá realizar, conforme garantiu ao “Canalmoz”, Salomão Muchanga, líder do Parlamento Juvenil. 
O Parlamento Juvenil defende que o debate é uma emergência democrática, para que os manifestos sejam publicamente apresentados e questionados pelos cidadãos devidamente organizados. O Parlamento Juvenil, assim como a maioria dos cidadãos, defende que a democracia moçambicana já tem idade suficiente para que haja um debate presidencial televisivo. Nyusi é o único candidato que anda fugitivo. Mas a opinião pública também defende que, mesmo na ausência de Nyusi, o debate deve acontecer, e o desejo de milhares de moçambicanos de ver a democracia a fortificar-se não pode ficar refém de Filipe Nyusi. (Redacção)

Thursday, 18 September 2014

Eleições: Candidato presidencial da Frelimo só aceita debates “não suspeitos”

O candidato da Frelimo às presidenciais em Moçambique, Filipe Nyusi, declarou que só aceitará debates "não suspeitos", não esclarecendo se está disponível para uma disputa televisiva a três, conforme o desejo dos seus dois adversários.
"Aquelas pessoas que acham que precisam ouvir o meu pensamento já me chamaram. Se me chamarem por outra ratoeira, cascas de bananas eu não vou entrar", declarou Filipe Nyusi, citado hoje pelo diário Media Fax, que na quarta-feira questionou o candidato presidencial do partido no poder sobre a sua disponibilidade para um debate televisivo, durante uma reunião com estudantes universitários em Maputo.
"Se me chamam à universidade para um debate, vou, não há nenhum problema", afirmou, por outro lado, Nyusi. "Alguém aqui ouviu dizer que o candidato da Frelimo não aceita debate?", questionou.
O Parlamento Juvenil de Moçambique (PJM) convidou os três candidatos presidenciais às eleições de outubro para participar num debate televisivo, e já recebeu confirmações da Renamo e do MDM, segundo o presidente da organização.
Em declarações à agência Lusa na quarta-feira, Salomão Muchanga disse que o PJM enviou, há cerca de um mês, um convite aos três candidatos presidenciais, Filipe Nyusi, da Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique), Afonso Dhlakama, da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana) e Daviz Simango, do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), tendo estes dois últimos confirmado a sua intenção de participar no debate.
"Para nós, o debate é uma emergência democrática, para que possa existir um debate público sobre os manifestos e os projetos governativos. Os candidatos presidenciais têm responsabilidades acrescidas perante a sociedade, porque querem dirigir o Estado, e, por isso, sentimos que há a pertinência da realização de um debate", considerou Salomão Muchanga.
Em intervenções públicas durante a campanha eleitoral que arrancou a 31 de Agosto, Afonso Dhlakama e Daviz Simango demonstraram interesse em participar num debate televisivo, não havendo, até ao momento, um pronunciamento definitivo da parte de Filipe Nyusi, que tem remetido explicações sobre o tema para o seu gabinete eleitoral.


Lusa

Escocia




Os escoceses estao a votar num referendo que vai decidir se ficam independentes ou continuam a fazer parte do Reino Unido!

PORQUÊ É QUE EU DESCONFIO DE FILIPE NYUSI?

 
Tenho visto, pelos meios de comunicação social nacionais, um spot publicitário produzido para disseminar a campanha eleitoral do candidato às eleições presidenciais pelo partido actualmente no poder em Moçambique, Filipe Nyusi. No mesmo, um denominador comum é apresentado aos eleitores: média dúzia de jovens a depor a favor do candidato dizendo “Nyusi, eu confio em ti”.
Achei a expressão muito interessante. Decidi então fazer alguma pesquisa instantânea em torno do conceito de confiança e as suas diversas nuances, para melhor perceber a extensão e a compreensão desse discurso propagandístico. Regra geral, confiança é um sentimento de segurança ou a firme convicção que alguém tem relativamente a outra pessoa ou a algo. Confiar pode também ser a crença de que uma expectativa sobre algo ou alguém será concretizada no futuro, tomando como base experiências e resultados anteriores que reforçam tal sentimento. Portanto, para se confiar em algo ou em alguém há que se ter necessariamente provas anteriores. Sem essas provas ou evidências, o indivíduo que tem de confiar em algo ou em alguém tende a basear-se apenas na informação dada (frases simples do tipo “Nyusi, eu confio em ti”), acabando por seguir potencialmente uma linha de pensamento longe da verdade.
Questões para reflexão
Como é que podemos estar seguros de que Nyusi será um bom Presidente da República? Apenas porque é o candidato do partido no poder? Ou porque já foi Ministro da Defesa? Ou ainda porque foi também um funcionário sénior dos Caminhos de Ferro de Moçambique? Ou porque foi Presidente do Clube Ferroviário de Nampula e com ele venceu o Campeonato Nacional de Futebol de 2004? Em sã consciência, estas “experiências e resultados anteriores” não reforçam convincentemente a confiança que Nyusi supostamente transmite. Todos os que têm olhos de ver sabem que a escolha de Nyusi como candidato da Frelimo às eleições presidenciais é resultado mais das dinâmicas internas de distribuição de poder naquele partido do que de qualidades pessoais de liderança e/ou de realização que ele possui. Era “inadiável” a hora de se designar um Presidente da República oriundo de uma região diferente da do sul de Moçambique e, porque dos históricos fundadores do movimento de libertação nacional “herdado” pelo partido Frelimo, um candidato oriundo do norte era o nome que se seguia. Poderosos lobbies internos foram activados para apandrinhar e promover Nyusi. Mais nada. Em paralelo, as provas de liderança de Filipe Nyusi são quase todas construídas com pilares de caniço. Ele foi Ministro da Defesa sim, mas todo o mundo sabe que este é um cargo para o qual o Presidente da República designa apenas pessoas de confiança política absoluta. Portanto, não estaria muito longe da limpidez da verdade se dissesse que não foi devido a qualquer elemento de competência técnica pessoal de Nyusi que ele foi nomeado Ministro da Defesa. Certamente que o mesmo não pode ser dito do cargo que Nyusi exerceu com funcionário sénior dos Caminhos de Ferro de Moçambique, devido à sua área de formação como engenheiro, mas o argumento morre de morte súbita ao se tentar relacionar com o facto de ter sido campeão nacional de futebol como dirigente desportivo. É que todo mundo sabe que qualquer clube ferroviário do país tem na sua estrutura directiva quadros de alto escalão junto dos Caminhos de Ferro de Moçambique – logo, estes cargos não são ocupados por competência dos seus usuários mas sim por cultura ou normas de protocolo interno - e, só por essa via, qualquer um dos seus dirigentes máximos não pode vir a ser um bom Presidente da República somente porque já venceu um e outro campeonato nacional.
Por outro lado, confiança também tem a ver com a familiaridade na forma de tratamento. Normalmente, nós confiamos “instintivamente” nos nossos pais, irmãos, parceiros, amigos ou colegas. Portanto, nas pessoas com as quais temos convivido no nosso dia-a-dia e com as quais temos tido relações profissionais, sociais ou afectivas. Ora, objectivamente, o povo moçambicano não tem nenhum laço de empatia com Filipe Nyusi anterior à sua escolha como candidato presidencial da Frelimo. As únicas pessoas que conheciam Nyusi, para além dos seus familiares e amigos, eram os seus camaradas na Frelimo e os colegas nos Caminhos de Ferro, no Ministério da Defesa Nacional e no Clube Ferroviário de Nampula. Só para relembrar, Nyusi era o pré-candidato menos cotado junto das massas partidárias da Frelimo e da opinião pública nacional, inicialmente. Foi literalmenteimposto aos demais pela centena e meia de membros que formam a elite dirigente da Frelimo junto da sua comissão política. Não foi por acaso que depois da sua escolha se orquestrou uma “estratégia consensual” de apoio e uma pesada campanha industrial de propaganda, sem memória no país, para a promoção da sua imagem bem como das suas “experiências e resultados anteriores”. É por aqui onde eu situo aqueles jovens que aparecem nos spots propagandísticos a testemunhar a sua confiança cega em Nyusi. É aqui onde eu situo os “amigos de Nyusi” em voga pelos meios de comunicação e redes sociais. Jovens que congelaram voluntariamente a sua consciência no frigorífico da confiança obrigatória em Nyusi, imposta pelas elites dirigentes e fabricada nos fornos de um consenso artificial vendido aos potenciais eleitores com requintes coloridos de unanimidade.
Concluindo, confiança supõe uma suspensão da incerteza relativamente às acções de algo ou de alguém em quem confiamos no futuro. Portanto, quando confiamos em algo ou em alguém, nos esquecemos plenamente de todo o mal que provavelmente nos possa vir a ser feito por sua causa. Quando alguém nos aparece a dizer que confia em Nyusi ou que quer que nós confiemos nele, nas telas dos nossos televisores, nas nossas ruas e mercados ou nos nossos murais nas redes sociais, está a dizer para enterrarmos toda e qualquer dúvida a seu respeito. Eu não sou tal idiota. Eu desconfio de Nyusi, particularmente por dizer que o seu manifesto eleitoral é integralmente a continuidade da governação presidencial anterior. É que a governação anterior alcançou níveis históricos de descontentamento popular (expresso pelos sistemáticos levantamentos e manifestações populares e pela viragem para a oposição nas últimas eleições autárquicas), para além de ter sido uma sucessão invariável de políticas públicas falhadas traduzidas na erosão da qualidade de vida, de ensino e de provisão de saúde dos cidadãos (lembre-se dos relatórios sobre o índice de desenvolvimento humano produzidos por instituições nacionais e internacionais), no descalabro da segurança pública (conflito armado entre o governo da Frelimo e a Renamo, recrudescimento do crime violento e de crimes associados à desigual redistribuição de riqueza), no triunfo da corrupção e o sequestro dos bens, recursos e serviços do Estado (envolvendo membros seniores do partido no poder), bem como no surgimento exponencial de ilhas de prosperidade (mansões, condomínios e complexos turísticos de luxo) cercadas por mantos oceânicos de pobreza extrema nas zonas urbanas, de expansão e rurais. Se confiar em Nyusi significa automática e cegamente votar nele e na continuidade disto, então prefiro desconfiar dele. E até começar a denunciá-lo.




Edgar Barroso, no Facebook e no Canal de Moçambique

Capa da revista Exame


Pequeno passo dado não deve adormecer os moçambicanos

Ainda se está muito longe do “bom porto”



 Ninguém se engane ou se iluda sobre o alcance real do AGP-2 assinado pelo PR e o líder da Renamo.
A solenidade e simbolismo daquele importante acto podem ser colocados em risco a qualquer momento, se não houver uma atitude e comportamento correspondentes aos reais anseios dos moçambicanos.
Os que até há bem pouco se reuniam para planificar acções ofensivas de carácter militar nos comandos das forças beligerantes podem não estar realmente confortados e controlados. Quem ganhava com cada dia de combate, com cada comboio de reabastecimento, com cada aquisição de equipamento bélico, com a logística geral que uma guerra comporta pode estar, em termos práticos, planificando saídas que constituam os fundamentos de retorno à beligerância.
É perigoso descansar antes do trabalho concluído e da consolidação dos entendimentos ou acordos alcançados.
A história recente mostra que há interpretações que fogem da realidade, que não explicam as causas das sucessivas guerras fratricidas no país e que existe relutância em assumir-se responsabilidade e liderança promotoras de concórdia de reconciliação.
Uma nuvem embaciada teima em não deixar ver o que realmente faz falta ao país e aos moçambicanos.
Demagogos e propagandista de teses reducionistas propalam aos quatro ventos explicações que pertencem a conteúdos leccionados em centros de estudos estratégicos do passado, que algum dia responderam a estratégias postas em prática, mas que perderam o fulgor e a sua razão de ser.
Marionetes e satélites, “paus-mandados” e agentes da Internacional Comunista ou da Internacional democrático-cristã, direita ou esquerda, extrema-direita ou extrema-esquerda, curem-se com urgência das bebedeiras ideológicas do passado e situem-se no Moçambique real, concreto de hoje. Que a vossa miopia não instrumentalize uma juventude carente de Paz e de trabalho digno, de cidadania, de liberdade de expressão e participação num processo político inadiável.
Todas as saídas planificadas e implementadas pelos centros locais de estudo estratégico e centros de orientação ou controlo informativo foram postas em prática, mas redundaram num fracasso, porque não tiveram em conta a dimensão dos problemas do país e a grau de adesão da maioria de sua população. Não foi a politização dos cidadãos que os afastou de teses militaristas ou de busca de soluções de problemas políticos através da reinstalação do regime das “guias de marcha” ou das células do partido e dos grupos de vigilância.
O perigo de hoje é que os grupos dinamizadores do passado que ganharam força nesta III república, embora com o nome de células, se tenham transformado em centros de recrutamento de agentes provocadores e de esquadrões de choque ao serviço da agenda de manutenção do poder.
Alguns comportamentos violentos são dignos de comparação com aqueles do 7 de Setembro de 1974. A intolerância política, quando protegida pelo silêncio da PRM, pela falta de condenação pelos altos escalões do partido no poder, transforma-se em instrução velada de comportamento a ser seguido por militantes e membros. É da responsabilidade inalienável de quem detém o poder governamental e controla os instrumentos da administração da Justiça vir a público em tempo útil e transmitir a mensagem apropriada.
É tal a gravidade dos abusos e da violência que reina impune, que isso ameaça a Paz recentemente assinada.
Quem governa deve liderar e tudo fazer para que a estabilidade se mantenha, que a ordem pública seja garantida, que os direitos constitucionais dos partidos políticos sejam, na generalidade, respeitados.
Governar é liderar todos os dias e não se esconder em agendas sinistras de manutenção do poder a qualquer custo.
Moçambique não precisa de doses maciças de cosmética política nem de um executivo que se entrega ao cumprimento de uma agenda partidária que viola os preceitos de convivência política.
Convém que se diga, de forma clara e contundente, que qualquer derrapagem do processo político será da responsabilidade de quem é Governo neste momento.
Aqueles que se entregam ao desenho de fórmulas de acção que consubstanciam “batota” e encorajam a utilização de meios fraudulentos para vencerem batalhas eleitorais devem ser tidos como responsáveis.
Os moçambicanos querem ter a oportunidade de votar em paz e em tranquilidade, sem ameaças nem coacção.
Assegurar eleições justas, livres e transparentes requer liderança efectiva e uma actuação cautelar pelos detentores do poder.
“Prevenir vale mais do que remediar”.
Calem-se os promotores da violência, mas não se cale o PR nem os seus porta-vozes quando a PAZ está sendo colocada em risco por membros irredutíveis de um partido político que ainda não aprendeu que democracia real significa alternância no poder, definida por resultados eleitorais limpos.
Sem suspeições, sem “truques” nem malabarismos, vamos todos fazer aquilo que todos sabemos ser o melhor para o país e para nós próprios.



(Noé Nhantumbo, Canalmoz)

Frelimo organiza greve no Conselho Municipal de Quelimane



“Nos encontramos o município falido foi por isso que o senhor Pio Matos foi retirado deste município e nós desde lá até aqui estamos a restruturar, quer a Empresa Municipal de saneamento (EMUSA) quer o Conselho Municipal para que sejam sustentáveis, como sabem a EMUSA era o saco azul do partido Frelimo, quando nós terminamos com isto, há uma tentativa de reação da parte deles e estão a aproveitar este momento eleitoral para criar um certo distúrbio, a três anos que Quelimane não tem cólera e há pessoas que não estão satisfeitas com isso   “ Extracto de uma entrevista concedida por Manuel de Araújo Presidente do Conselho Municipal de Quelimane que falava na manha de hoje à jornalistas a propósito da greve organizada por trabalhadores da empresa municipal de saneamento.
Um grupo de trabalhadores reuniu-se na manha de hoje em frente ao edifício do governo municipal de Quelimane para protestar para aquilo que chamaram de “nossos direitos”, os referidos trabalhadores exigem o pagamento do bónus, o décimo terceiro salário. Como forma de pressionar, os manifestantes, chegaram a trancar as portas dos edifícios do Conselho Municipal e da Emusa com cadeados e ameaçaram igualmente os demais funcionários com insultos como tentativa de intimidação para que não se fizessem aos seus postos de trabalho e registaram-se casos de agressão física a chefes de departamentos.
Para Manuel de Araújo este assunto foi ultrapassado num encontro a meses e na altura haviam sido determinadas datas para o pagamento e as mesmas ainda não venceram. De Araújo sublinhou que a greve é do partido Frelimo não reflete necessariamente a posição dos funcionários da instituição “ Digo que esta é a greve do Pacheco e do Veríssimo, não é a greve dos trabalhadores do Conselho Municipal, há munícipes que vieram nos informar e que participaram das reuniões de preparação desta greve e n’os tivemos informação desde o principio foi por isso que não fomos apanhados de surpresa, aliás se for a ver as cartas de aviso da greve o primeiro sitio onde elas foram entregues foi na Frelimo, temos provas e evidencias de que esta greve foi preparada na sede do comité provincial do partido Frelimo”.




Fonte: Conselho Municipal  da Cidade de Quelimane. Confira aqui!

O deputado arruaceiro

Amilcar Zacarias Hussein, deputado da Frelimo, alegadamente  comandou  um grupo de arruaceiros que perturbaram e tentaram impedir o comício de Daviz Simango em Catandica! Parabens a Policia por ter evitado o pior! Onde anda a CNE? Os Partidos assinaram um Codigo de conduta eleitoral! Quem vai ser responsabilidado? O deputado arruaceiro nao deve ser censurado no Parlamento?



Fonte: Edwin Hounnou, testemunha do incidente, no Facebook

Wednesday, 17 September 2014

Moçambique tem a terceira pior rede de estradas do mundo


Moçambique é o terceiro país do mundo com as piores condições das estradas. Os dados foram revelados esta segunda-feira pelo Índice de Competitividade Global (ICG) 2014/2015 lançado pelo Fórum Económico Global.
De acordo com o mesmo indicador, apenas Timor-Leste (144.ª posição) e Guiné (143.ª) aparecem como piores posicionados do que Moçambique no que se refere à rede de estradas.
Estes dados comprovam a situação degradante em que se encontram grande parte das estradas em Moçambique: dos 30 mil quilómetros de rede viária existente, menos de 10% está asfaltada. Grande parte das estradas secundárias e terciárias encontra-se degradada e em difícil condição de transitabilidade.
Já Portugal ocupa o segundo lugar a nível mundial – e o primeiro na Europa – do ranking relativo à qualidade das infra-estruturas rodoviárias. A nível mundial, a qualidade das estradas portuguesas é apenas ultrapassada pela dos Emiratos Árabes Unidos.



A Bola

Sorriso matinal: intolerancia e ilicito?


As capas dos Semanarios



CNE/STAE e PRM/FIR e PGR não podem ficar esperando pelo pior


Agir hoje e agora significa seriedade e responsabilidade

 Multiplicam-se situações de violência eleitoral um pouco por todo o país.
Os fenómenos condenáveis de violência eleitoral merecem uma atenção especial da alta hierarquia dos órgãos de administração eleitoral e dos órgãos de administração da Justiça.
É tempo de mostrar que afinal não são órgãos coartados nem subservientes a agendas partidárias.
Sem malabarismos nem fugas para a frente, provem aos moçambicanos que merecem confiança e os salários principescos que auferem.
Trabalhar nos casos conhecidos e agir preventivamente vai trazer confiança essencial para que não haja recrudescimento da violência relacionada com as eleições que se avizinham.
Assinado o AGP-2, importa recuperar a credibilidade institucional.
A PRM não pode ficar parada, impávida e serena, quando testemunha provocações violentas e desnecessárias afectando a actividade política de forças políticas com existência legal no país.
Já não é tempo daquele “história” de que não há provas nem se localizam os prevaricadores.
Com interesse em saber, se localizam todos, e acredito que as autoridades dos distritos onde existem registos de ocorrências dessa natureza conhecem muito bem até o endereço físico de cada um.
Agir hoje e não amanhã vai contribuir para que a PAZ assinada se torne realidade quotidiana.
As organizações religiosas e da sociedade civil estão estranhamente silenciosas face ao espectáculo dantesco que se assiste em alguns pontos do país.
Afinal para que foram tantas romarias e manifestações a favor da paz?
Criticar e denunciar com veemência e vigor os que perturbam a paz é tarefa de todos e todos os dias.
Não se espere por calendários nem por angariação de fundos para adquirir camisetas e chapéus para manifestações mediatizadas.
Há fortes indícios de que a violência obedece a planificação prévia em que estão envolvidos escalões diversos.
Não se pode ficar à espera de que o pior aconteça e que depois se entre na conhecida via de diabolização dos outros.
Há factos e matéria suficiente para que as autoridades se lancem ao campo e trabalhem sobre o que se conhece. Aqui não se trata de inventar, mas educar e preventivamente acalmar ânimos que perigosamente podem rebentar. A paciência esgota-se e a retaliação pode ultrapassar a capacidade de controlo da PRM/FIR.
Os pleitos eleitorais precisam de uma PRM/FIR longe das urnas e isto faz-se com paz efectiva.
Se alguém quer promover acções de violência que justifiquem a acção policial, isso deve ser entendido como um esforço antidemocrático de conquista e manutenção do poder.
Não se podem repetir os espectáculos do passado recente em que carros blindados circularam em ruas e avenidas moçambicanas afugentando eleitores das urnas. Não se podem repetir detenções de membros influentes da oposição para propiciar uma actuação livre de fiscalização, por parte dos membros do partido no poder.
Não agir hoje significa a preparação de condições para a viciação dos resultados eleitorais, e isso poderá trazer consequências explosivas.
É bem recente e fresco o cessar-fogo da segunda guerra civil de Moçambique.
Desta vez, não foram as forças do “apartheid” nem do imperialismo que apoiaram a Renamo, como advogam alguns “brilhantes” políticos e analistas.
Haja sensatez e trabalhe-se na educação e controlo da propaganda político-eleitoral, no controlo dos activistas eleitorais.
Afinal a democracia não se constrói com agentes provocadores nem com brigadas de choque.
As altas autoridades acima mencionadas têm nas suas mãos trabalhar de forma diligente e eficaz para travar a barbárie político-eleitoral.
Embebedar jovens e lançá-los como escudos eleitorais ou munições para atacar a oposição não corresponde à vontade de paz propalada pela propaganda de alguns partidos políticos.
Queremos acção hoje, e não amanhã, da CNE/STAE, PRM/FIR e da PGR.
Finalmente, apelamos para que o Presidente da República intervenha com celeridade neste assunto de extrema importância nacional.
A prioridade é a manutenção da PAZ.


(Noé Nhantumbo, Canalmoz)

Tuesday, 16 September 2014

Governo e Renamo finalizam detalhes para início das actividades dos observadores

 
Acordo de cessar-fogo
O Governo e a Renamo estiveram reunidos, esta segunda-feira, em mais uma ronda de diálogo político. Em cima da mesa estavam documentos visando a criação de bases para a entrada em acção dos observadores militares internacionais.
Na ronda 77 do diálogo político, as partes estiveram a analisar os relatórios dos peritos militares sobre a missão de observadores que vai supervisionar a implementação da Lei de Cessar-fogo.
“Os nossos peritos militares reuniram-se recentemente com os adidos militares dos países observadores e apresentaram algumas questões relevantes de procedimento, que são de praxe neste tipo de missões, e nós, junto do governo, estamos a procurar harmonizar esses pontos”, referiu Saimone Macuiane, chefe da delegação da Renamo, na explicação do que estava em jogo na sessão de ontem.
Segundo o governo, o processo decorre dentro da normalidade, mas precisa de ser acelerado, para que a implementação dos acordos contidos na lei seja fechada ainda este ano. “Estamos a trabalhar de forma a fazer com que os nossos observadores comecem rapidamente a trabalhar(…). O desafio agora é que o processo seja acelerado, de forma a que até ao final deste ano possamos concluir os restantes dois pontos que compõe a agenda do diálogo”, disse José Pacheco, chefe da delegação do governo.
Neste momento já estão em Maputo os observadores militares do Botswana e do Zimbabwe, que fazem parte dos nove países convidados. “As equipas estão a chegar. Estamos à espera que nos próximos dias cheguem as de Cabo Verde e de todos outros países”, disse Pacheco, para quem “os que chegaram já podem trabalhar com as contrapartes militares, nomeadamente do governo e da Renamo. Estão criadas as condições para se iniciar com o trabalho”.
Para além destes dois países, integram o grupo de observadores militares internacionais que vão monitorar a desmilitarização e o desarmamento das forças residuais da Renamo.
Apelo ao regresso a casa
Os negociadores-chefes do governo e da Renamo no diálogo político exprimiram, ontem, mensagens de sossego para as centenas de famílias refugiadas no centro de acomodação de Nhataca II, no distrito de Gorongosa, sobre o fim das hostilidades militares.
Naquele centro, encontram-se cerca de 300 pessoas que fugiram das suas casas no decurso da tensão militar que marcou os últimos meses, e que, apesar do cessar-fogo, continuam com receio de voltar a casa.
“O que podemos dizer é que as hostilidades acabaram e as pessoas podem voltar a casa e circular à vontade”, disse José Pacheco.



O País

Monday, 15 September 2014

Editorial do Canal de Moçambique

Gostaríamos de ver as eleições de 15 de Outubro a realizarem-se com lisura e sem as habituais fraudes, para que os cidadãos possam começar a mudar os Governos democraticamente usando o voto, se for esse o seu desejo.
Sempre se negou que houve fraude, mas, surpreendentemente, na semana passada (2 de Setembro), um dos semanários editados em Maputo, talvez distraidamente, proporcionou-nos a leitura de afirmações, que atribui ao porta-voz da Comissão Nacional de Eleições, Paulo Cuinica –que está integrado naquele órgão pelo partido Frelimo –, em que ele diz explicitamente que a “CNE garante pôr fim às mudanças secretas dos resultados eleitorais”. Ora, isso prova que houve até aqui “mudanças secretas de resultados”.
E prova até que os habituais “observadores internacionais” não foram pessoas de boa-fé, quando levaram os Governos dos seus países a consideraram as eleições “justas, livres e democráticas”.
Antes de nos debruçarmos aonde quererá chegar Paulo Cuinica com tanta franqueza – que não deixa de trazer “água no bico” – releva para nós, “a priori”, que a Renamo, primeiro, e o MDM, mais tarde, ao queixarem-se das “fraudes” e “falcatruas”, tinham razão. E quando sabemos que os tais “santos” observadores internacionais – não todos, mas pelo menos os de países que se julgam sacrossantos – acabaram por pactuar com essas burlas, é agora absolutamente aconselhável que se reveja a credibilidade que se tem depositado em alguns deles.
Também nos preocupa que o presidente Dhlakama possa estar outra vez a deixar-se “levar na onda”, sujeito a ouvir mais tarde as mesmas desconsiderações de que sempre procurou distanciar-se. Por isso daqui lhe chamamos também a atenção, publicamente.
Queremos também tornar público que com a cumplicidade dos “observadores internacionais” que Paulo Cuinica acabou por denunciar, talvez Irreflectida ou ingenuamente, reforçam-se as suspeitas de que os principais fomentadores da corrupção não querem que o regime mude, porque ainda não devem estar ressarcidos e receiem que os próximos a governar não se deixem vender com a mesma facilidade.
Enfim, conjecturas e reflexões que só os factos e as declarações nos aconselham a não continuarmos a guardar no baú, e por isso aqui deixamos à consideração de quem nos lê.

 ( Editorial do Canal de Moçambique, 10 de Setembro de 2014)

Daviz Simango aceita desafio de Dhlakama

 

Debate televisivo a três


- O candidato da Frelimo, Filipe Nyusi, ainda não se pronunciou em torno do convite lançado pelo presidente da Renamo
O candidato presidencial do Movimento Democrático de Moçambique, Daviz Simango, respondeu positivamente ao convite lançado publicamente pelo líder da Renamo Afonso Dhlakama, para um “confronto” televisivo entre os tês candidatos presidenciais aprovados pelo Conselho Constitucional.
Questionado por jornalistas que acompanham a sua campanha eleitoral, Daviz Simango, mostrou concordância absoluta em relação à colocação feita por Dhlakama, pois “é importante debatermos ideias sobre como criar condições para que este povo também tenha direito de sorrir”.
Entende Daviz Simango que um debate entre os candidatos, poderá ajudar os candidatos a melhorarem a sua visão sobre as políticas de governação e desenvolvimento, assegurando, deste modo, respostas mais flexíveis na criação do bem-estar das populações.
“Não só favorável à ideia, mas também entendo que é confrontando e discutindo ideias que efectivamente conseguimos adequar os nossos pontos de vista em relação aos nossos planos e projectos. O debate permite que possamos expressar, expor as nossas ideias e isso é saudável. Portanto estou disponível” – assegurou Simango, no fim da semana passada, em campanha na província de Tete.
Afonso Dhlakama, recorde-se, defendeu a necessidade de um debate público a três sob o argumento de que a ideia “iria ajudar os potenciais eleitores a decidirem sobre a melhor escolha no que toca à votação presidencial de 15 de Outubro próximo”.
Entretanto, adiantou Dhlakama na quinta-feira “eu sei que os outros não vão aceitar porque têm medo. Seria muito bom que aceitassem. Mas, desde 1994, nos tempos do presidente Chissano, eu venho pedindo isso, mas negam. Não aceitam. Gostaria que isso acontecesse porque num instante eu iria arrumar com tudo aquilo (contrapor ideias de outros candidatos), mas não aceitam” – disse Dhlakama.
Tendo aceitado, Daviz Simango desmentiu o pessimismo apresentado por Afonso Dhlakama em relação à aceitação ou não do debate público.
Neste momento, os promotores de debates televisivos esperam o pronunciamento do candidato presidencial da Frelimo, Filipe Nyusi. A confirmar-se, seria a primeira vez que os candidatos presidenciais sentam à mesma mesa para debater os pontos chave em torno dos seus manifestos eleitorais.

MEDIAFAX – 15/09/2014

Ainda a violência política em Gaza

 

Polícia diz que os partidos não fornecem agenda

…e o MDM diz que as autoridades condicionam acompanhamento ao pagamento de combustível


Ainda em torno da violência política na província de Gaza, o Comandante Provincial da Polícia da República de Moçambique naquela provincial, veio publicamente justificar a “inacção” policial na protecção das brigadas de campanha eleitoral, alegando falta de agenda e itinerário da campanha dos partidos.
Falando no âmbito do balanço dos primeiros 7 dias da campanha eleitoral, João Mahunguele disse que a sua corporação tem estado a ter dificuldades de garantir segurança aos partidos políticos pelo facto de estes não disponibilizarem as suas agendas de campanha e os respectivos itinerários às autoridades policiais.
“Como é que nós vamos garantir a segurança se os partidos não nos dizem onde é que estarão. Isso é muito complicado” - reclamou Mahunguele, referindo que este comportamento (não facultação da agenda) é prática recorrente dos partidos da oposição.

Polícia exige combustível


Entretanto, a delegada do Movimento Democrático de Moçambique na província de Gaza, Judite Sitoe, disse a jornalistas que a Polícia da República de Moçambique não acompanha as comitivas de campanha do MDM porque este partido não tem dinheiro para pagar combustível à Polícia.
Ou seja, de acordo com Judite Sitoe, as autoridades policiais condicionam acompanhamento das caravanas de campanha ao pagamento de combustível  pelos partidos políticos.  
“E nós não temos combustível para dar à Policia, por isso que não fornecemos a agenda”-justificou.



E acrescentou: “agora que está aqui o nosso Secretário-Geral, pedimos acompanhamento  e a Polícia pura e simplesmente pediu-nos combustível e nós dissemos que não temos”.
 
Em Mueda, polícia exige viatura  
Já no distrito de Mueda, o MDM acusa a PRM de estar a priorizar o acompanhamento policial das caravanas da Frelimo. Segundo um membro da comissão política distrital do MDM, em Mueda, Bernardo Gerónimo, quando pedem a policia para acompanhar suas caravanas da campanha eleitoral, esta responde negativamente, afirmando que o MDM deve alugar viaturas privadas para o transporte dos membros da PRM, o que não acontece com a Frelimo.
 
 

 
MediaFax, 15.09.2014
 
 
 
 
 

Dinheiros públicos a saque

O desvio e o roubo de dinheiros públicos por quem os tinha a seu cargo tende a ser um crime comum nas instituições públicas. O saque é pela medida grande e os estratagemas a que se recorre para delapidar o erário são sempre os mesmos: falsificação de folhas de salários e de assinaturas e pagamentos de vencimentos a funcionários que nunca existiram ou até mesmo a quem já não faz parte do mundo dos vivos. Isto não é aceitável e rompe com quaisquer pressupostos de uma administração pública que se rege por princípios de decência.
Segundo o Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC), entre 2008 e 2013, oito funcionários públicos saquearam dos cofres do Estado cerca de sete milhões de meticais paras as suas necessidades alheias ao interesse público. Do grupo constam três funcionários públicos afectos ao município de Chibuto, na província de Gaza, que se apoderaram de três milhões e duzentos mil meticais com recurso à falsificação de documentos e ao pagamento de salários a trabalhadores “fantasmas”. Um governo não se pode vergar perante meia dúzia de ladrões.
Que são estes, afinal, os funcionários que pululam na administração pública e que dirigem sectores vitais para o desenvolvimento do país já não espanta ninguém. Porém, o que é repugnante é saber que temos instituições e leis que não funcionam. São simplesmente inertes tal como as próprias entidades de inspecção! Foram cinco anos de roubo e ninguém foi capaz de abortar tais situações? Isto sugere que em relação à fiscalização do uso de fundos e outros bens públicos, o problema parece mais grave do que se imagina.
A pretexto de se tornarem bons servidores do Estado, os funcionários em causa juraram promover boas práticas mas fica, aqui, registado para a história, que tinham os olhos postos no erário. Na Educação, onde forram desviados 144 milhões de meticais, desde 2006, através de esquemas similares aos que nos referimos acima, e o caso ainda não está esclarecido por quem de direito, um director dos Serviços Distritais, coadjuvado por um técnico da mesma instituição, roubou um milhão, cento quarenta e sete mil meticais.
O regabofe com o dinheiro público repetiu-se noutras parcelas do país, deixando a nu e cru as fragilidades do Estado. O facto de o nosso sistema político admitir a corrupção é prova bastante de que um governo composto por gente honesta não passa de uma utopia no nosso seio. Não bastava sermos dirigidos por devassos. Agora, caímos nos tentáculos de peculadores. E o que nos indigna é que, enquanto o Estado estabelece regras de funcionamento de instituições sob a sua alçada, os prevaricadores saqueiam o erário, a torto e a direito, e, na pior das hipóteses, não são responsabilizados pelos seus actos lesivos.
Indigna-nos ainda estarmos perante sinais claros de que certos dirigentes e funcionários públicos, principalmente gente da máquina administrativa, recorrem, cada vez mais, a meios ilegais e às suas posições para enriquecimento próprio. O lugar de gente que vive à custa do roubo é a cadeia. E todos nós somos cúmplices desta bandalheira que ameaça capturar o Estado porque nunca nos manifestamos contra; por isso, eles vão saquear mais dinheiro até que se desencadeie uma contra-ofensiva.



Editorial, A Verdade